Tribuna do Leitor

?Sinto vergonha de mim?


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“Sinto vergonha de mim por ter sido educador, parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo, já chamado varonil, enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes, pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade. A negligência com a família, célula mater da sociedade, a demasiada preocupação com o “eu” feliz a qualquer custo, buscando a tal “felicidade” em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem respeitar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, para reconhecer um erro cometido, a tantos “floreios” para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre “contestar”,  voltar atrás, e mudar o futuro.

É... Tenho vergonha de mim, que faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que eu não posso percorrer...

Eu tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho para onde ir, pois amo, amo este meu chão, vibro ao ouvir meu hino e jamais usei minha bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim, tenho pena, tanta pena de ti, povo brasileiro, de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto...” Ruy Barbosa.

Nunca um texto revela de forma tão didática o que fomos, o que somos e o que seremos, caso fiquemos estáticos aos acontecimentos que vêm nos golpeando a cada dia, sem que mudemos o que o que foi, o que é e o que será...

Alfredo Hermenegildo de Oliveira Netto (Fred)

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