| Malavolta Jr. |
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| Aos 72 anos, o engenheiro Richard Gebara conquistou uma carreira sólida, bons e numerosos amigos e muitas histórias para contar |
Aos 72 anos, ativo e trabalhando com perícias judiciais na área de engenharia civil, profissão exercida há quase 40 anos, nomeado pelos juízes de quase todas as varas de Bauru, de Agudos e Pederneiras, Richard Gebara tem uma carreira sólida, bons e numerosos amigos e muitas histórias para contar que certamente não cabem em apenas em uma página de jornal. As principais delas, sem dúvida, estão ligadas à ferrovia, onde teve um desenvolvimento contínuo, chegando a superintendente de produção da Rede Ferroviária Federal – SR-4. Mas ele também se orgulha de ter exercido outras atividades, entre elas, estar na diretoria do E.C. Noroeste quando veio o acesso à Primeira Divisão, em 1984.
Jornal da Cidade – O senhor nasceu em Bauru?
Richard Gebara – Sim, em 5 de fevereiro de 1943, filho de libaneses, Semi Gebara e Linda Gebara. Sou o mais novo de três irmãos e meu pai era dono de um comércio, a Casa Gebara, na quadra 6 da Batista de Carvalho. Curiosamente, meus pais, apesar de serem do Líbano, não se conheceram lá. Foram se encontrar aqui mesmo.
JC - Sempre morou aqui?
Richard – Sim e aqui formei minha família. Meus estudos foram no Grupo Escolar Rodrigues de Abreu (onde, hoje, é o Colégio São José) e fiz o ginásio e científico no Instituto de Educação Ernesto Monte e só saí mesmo em 1961 para fazer cursinho e estudar engenharia no Mackenzie. Me formei em 66 e em 67 e já estava trabalhando na construção civil aqui.
JC –Foi ligado ao esporte, não é?
Richard – Sim, sou corintiano. Não perdia uma oportunidade de assistir ao Corinthians em São Paulo. Também torci muito pelo Noroeste. Fui presidente do Conselho. Estava na diretoria quando ascendeu à Primeira Divisão em 1984, o presidente era o Ibrahim Cameschi.
JC – E hoje não pensa mais em ajudar o clube?
Richard Gebara –Houve um episódio em que tínhamos fechado uma questão para a presidência em prol do clube, se não me falha a memória em 1986. Houve um consenso, com várias reuniões anteriores e tínhamos uma eleição fechada, com duas chapas. Mas na hora da assembleia veio um grupo e, de surpresa, apresentou uma terceira chapa. O estatuto permitia. Mas aquilo me revoltou. Entreguei meu cargo ali.
JC – E nunca mais voltou ao Al-fredo de Castilho?
Richard Gebara – Fiquei alguns anos sem pisar lá. Voltei apenas como torcedor. Para assistir ao Corinthians. Mas meu primeiro amor no futebol mesmo foi o BAC (Bauru Atlético Clube). Inclusive, era no BAC que eu estava quando soube que meu pai passou mal e veio a falecer alguns dias depois. Ele morreu muito novo, aos 62 anos, e lamento que não chegou a me ver formado engenheiro, o que só iria acontecer no ano seguinte.
JC – O basquete também fez parte de sua vida.
Richard – Sim, sim. Era pivô do Floresta . O Barbosa (Antônio Carlos Barbosa, técnico da seleção brasileira de basquete feminino por vários anos) foi meu reserva naquela época. Ele se deu melhor como técnico (risos).
JC – Como corintiano teve um cargo especial também, correto?
Richard – De fato. Não esqueço a partida em 1972 entre Corinthians e Noroeste, em 28 de fevereiro. O presidente era o Claudio Amantini aqui e o Vicente Matheus lá. O próprio Vicente Matheus me nomeou o representante oficial do Corinthians em Bauru, cargo que exerci até que as obrigações com a ferrovia não me deixaram mais continuar.
JC – Nessa época, o senhor já estava na ferrovia, a então NOB?
Richard – Entrei na ferrovia em 4 de agosto de 1969. Ainda como engenheiro estagiário. Mas já em novembro ocupei meu primeiro cargo de chefia, como inspetor de tráfego e movimento do Distrito de Bauru. Na época, não era Rede Ferroviária Federal ainda. Era a antiga NOB – Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, dirigida pelo general Ramiro Gorreta Jr.. A partir de 15 de novembro de 1969, foram criadas as regionais, ficando a Noroeste subordinada à Superintendência Regional de São Paulo. Fui crescendo dentro da empresa. Até que em 16 de abril de 1984 tomei posse como superintendente de produção da SR-4 Bauru.
JC – A ferrovia ainda vivia em pleno apogeu?
Richard – Sim, sob o nosso comando, a SR - 4 Bauru (tínhamos uma superintendência igual à da Capital) liderava um contingente de mais de dois mil funcionários. Fazíamos transporte de cargas pesadas, valiosas como derivados de petróleo, minério de ferro, grãos, principalmente soja, etc.. Não só Bauru, mas todo o Brasil, sofre com o abandono da política de ferrovias. Todo mundo sabe que o transporte pesado não pode ser feito por rodovia. É mais caro e nada racional.
JC – E a privatização nisso tudo?
Richard – Não sou contra privatização. Mas há casos e casos, como, por exemplo, o caso da energia elétrica, bancos e outros que Bauru perdeu. No caso da ferrovia, é de doer o coração. Não houve privatização, mas sim arrendamento, e com isso ocorreu o desmanche, culminando com a situação atual. Arrendar é o mesmo que alugar um imóvel. O inquilino não vai fazer as obras necessárias. No máximo, vai tapar uma goteira, não investindo na troca do telhado.
JC – O senhor não vê retorno?
Richard – Não, infelizmente. E até o que está aí, naquele pátio, sem uso, aquele monte de sucata precisa ser retirado. É preciso dar um fim nos ferros velhos. Além da questão estética, serve de criadouro de mosquitos, de esconderijo de usuários de drogas, deixando nos bauruenses e, principalmente nos ferroviários, uma saudade imensa. Não há sentido nisso. Tenho muito a agradecer à ferrovia. Pessoalmente lá fiz muitos amigos. Mas hoje só nos resta lamentar. A propósito de amigos, até hoje temos a Associação dos Engenheiros da antiga NOB, frequentada por Engenheiros da ferrovia e por amigos de vários seguimentos profissionais. Nos reunimos todas as terças, quintas e sábados para conversar, lembrar dos bons tempos.
JC – Com tantos amigos e uma vida bastante ativa, não pensou em atuar na política?
Richard – Não. Fui até convidado para disputar cargo de vereador, mas nunca quis. Sou um técnico.
JC – Mas ao que consta teve uma participação ativa na manutenção da Rede Ferroviária Federal em Bauru, como superintendência.
Richard – De fato. Houve esse episódio, sim. Não vou dizer que eu fui o responsável pela manutenção da superintendência da rede aqui, quando queriam extingui-la e levar a chefia para Campo Grande (MS). Mas eu estava presente em 82 quando a notícia chegou. Ao ouvir aquilo, não fiquei quieto. Chegamos a acionar até o [Alcides] Franciscato e o [Osvaldo] Sbeghen que eram nossos deputados. Nos mobilizamos e tudo ficou como estava. Digamos que eu estava na hora certa no lugar certo.
JC – O senhor é um homem atuante também na filantropia...
Richard – Sou do Lions, que é um clube de serviço. Fui presidente do Lions Clube de Bauru Centro em 2009/2010, mas cuido da tesouraria desde 2004. Não me deixaram até agora largar dessa parte (risos).
JC – Bom, no Lions o senhor tem a seu lado a “domadora”, sua esposa, Sueli Costa Gebara.
Richard – Sim, sou muito família, valorizo muito. E, na minha família, a maioria é de mulheres, tanto que há nove. Eu e Sueli nos casamos em 1971. Tivemos três filhos, o Richard Gebara Filho, a Sílvia Gebara Frigieri e o Luís Cláudio Gebara, que já nos deram cinco netas. Curiosamente o mais velho foi o último a se casar. E a minha neta mais velha, a Júlia, já vai fazer 15 anos. Ser avô é bom demais.
JC – Um paralelo entre Bauru do seu tempo de namoro e hoje...
Richard – Ah! Era mais romântica. Havia mais valorização da família, da integridade, mais decência. Lamentavelmente, hoje está mais difícil de viver. A começar pela segurança.
Perfil
Nome: Richard Gebara
Idade: 72 anos
Local de Nascimento: Bauru
Esposa: Sueli Costa Gebara
Filhos: Richard, Sílvia e Luís Cláudio
Netas: Julia (14 anos) e Lívia (9 anos), filhas de Sílvia, Nicole (9 anos) e Luísa (5 anos), filhas de Luís Cláudio e Sofia (4 anos) filha de Richard.
Livro de cabeceira: Relacionados à história de Bauru e do Corinthians.
Hobby: Assistir Jogos do Corinthians e filmes de “Bang bang”.
Filme preferido: Os Dez Mandamentos
Estilo musical predileto: Romântico
Time de futebol: Corinthians
Para quem dá nota 10: Para minha família, meus amigos e às pessoas ligadas à filantropia
Para quem dá nota 0: Para o Governo Federal
