Com quase 50 anos de idade, Vandeca deixou para trás todos os sinais de desgaste provocados pelo tempo e está de cara nova. Todo o processo de “rejuvenescimento” demandou cerca de três meses de trabalho de um equipe de cerca de dez profissionais e ela, agora, está pronta para receber visitas no Museu Ferroviário de Bauru.
Vandeca é a única locomotiva elétrica no espaço e recebeu este nome em homenagem à cantora Wanderléa, que se apresentava constantemente vestindo minissaias. Devido à ausência de carenagem, as rodas da locomotiva – assim como as pernas da artista - também ficam expostas.
A nova versão da “jovem senhora” foi apresentada ontem, durante o 6.º Encontro Histórico Ferroviário. Hoje, Dia da Ferrovia (leia mais na página 14), ela pode ser visitada das 9h às 17h. Mas, segundo Alex Sanches, diretor da Divisão Técnica da Secretaria Municipal de Cultura, a locomotiva receberá mais alguns retoques até o final do ano.
“Neste primeiro momento, focamos na parte de funilaria e pintura”, pontua, destacando que todo o trabalho é realizado por equipe própria da divisão técnica e do museu. A partir de agora, ele explica, a intenção é reativar alguns mecanismos de Vandeca, como suas partes pneumáticas e elétricas; pantógrafo, sino, buzina, limpadores de parabrisa e luz de cabine. Concluída a reforma, a locomotiva terá, então, sua cabine ambientada.
“A ideia é fomentar a identidade ferroviária do município e salvaguardar este patrimônio, para que as novas gerações possam conhecer como estas locomotivas funcionavam e entender a importância da ferrovia para o desenvolvimento de Bauru e do País como um todo”, completa. Dentro do projeto “Ferrovia Para Todos”, a prefeitura já restaurou 17 itens que compõem o acervo do museu.
Para a restauração de Vandeca, foram investidos aproximadamente R$ 12 mil em materiais. Segundo Sanches, a locomotiva elétrica foi fabricada no final dos anos 1960 pela General Electric para fazer parte da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.
Com o processo de privatização em 1998, foi desativada pela Ferrovias Bandeirantes S.A. (Ferroban), que alegou alto custo para mantê-la em operação. “Com o passar dos anos, ela foi sendo dilapidada, até ser levada para o museu, no início dos anos 2000. Passados 15 anos, conseguimos reformá-la da maneira como queríamos”, acrescenta.
Correio Bagagem
O diretor conta que a equipe também restaurou um carro Correio Bagagem, construído pela Estrada de Ferro Sorocabana em 1945 nas oficinas de Sorocaba para transportar correspondências, malas e encomendas. Recém-chegado ao museu após doação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o vagão teve seu interior reformado e, até o dia 25, irá abrigar uma exposição de fotos da Associação Renascer o Apoio à Cultura Indígena (Araci).
“Depois, ele será transformado em uma área para receber as crianças, com uma maquete ferroviária e exibições de filmes para mostrar trens em animações e em imagens reais. O objetivo é, de maneira didática, promover esta conexão entre fantasia e a realidade”, completa Sanches.
O museu fica aberto à visitação de terça-feira à sexta-feira, das 8h30 às 12h e das 13h às 17h. Nos sábados, funciona das 9h às 13h30.