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Hoje, 27 de setembro, é o Dia Nacional de Doação de Órgãos. Em dez anos, o País conseguiu um crescimento significativo no número de transplantes, mas ainda está longe de zerar a fila de espera. E para chegar a este objetivo, a principal aposta é a conscientização, pois quem autoriza a doação após o falecimento são as famílias. Mitos como o medo de que a pessoa ainda esteja viva mesmo após constatada a morte encefálica são barreiras que ainda precisam ser superadas.
Na última década, o Brasil registrou crescimento de 63% no número de transplantes, mas a fila de espera segue alta, com mais de 38 mil pessoas aguardando doação em todo o País, sendo mais de 12 mil apenas no Estado de São Paulo.
Em Bauru, o trabalho de captação na rede pública é realizado principalmente no Hospital de Base, e também no Hospital Estadual, ambos administrados pela Famesp. O médico Alexandre Todorovic Fabro é o responsável pela Comissão Intra-Hospitalar de Transplante do Hospital de Base e comenta que o local é referência pelas especialidades em que atua.
“O Hospital de Base capta mais órgãos por ser referência em atendimentos de traumas e AVC hemorrágico. Quando um paciente com estas condições vai a óbito, ele pode doar vários órgãos. Se a família autoriza a doação, são acionadas equipes que vão fazer a coleta dos órgãos, que serão levados para os locais onde haverá o transplante”, frisa.
Fabro reitera que, atualmente, são realizados exames detalhados para atestar que o paciente, de fato, teve morte cerebral. “Para a ciência, quando há morte cerebral, não há mais nenhuma possibilidade de sobrevivência. Só que, por algumas horas, os órgãos vitais ainda terão alguma atividade, porque o cérebro morreu, e isso é irreversível, mas o coração bate por mais algum tempo. Neste momento, o paciente já morreu. E é esta atividade que permite que seja feita a captação dos órgãos, é um intervalo de tempo relativamente curto, de, no máximo, 24 horas”, frisa. “São realizados exames detalhados em um intervalo de seis horas, cada um por dois médicos diferentes, para atestar que houve mesmo a morte cerebral. Hoje, o diagnóstico de morte encefálico é uma certeza, a partir desse momento não há mais vida e a captação pode ser feita”, menciona.
“A morte encefálica é constatada quando morrem as células do cérebro, quando há uma isquemia cerebral. Como se detecta isso? Fazendo dois exames clínicos dentro de um prazo de seis horas, avaliando a resposta do cérebro”, detalha Fabro.
Captação e recepção
Quando uma família autoriza a doação dos órgãos de um ente que acabou de morrer, são acionadas equipes para coletar os órgãos. Geralmente, cada um vai para um lugar, conforme a ordem da lista de espera e a compatibilidade, atestada também por diversos exames rigorosos no paciente que está esperando a doação.
Para a cirurgia de transplante, existem hospitais de referência no Estado. Na Capital, por exemplo, o Incor é o principal centro para transplantes de coração e pulmão; e o Hospital do Rim e da Hipertensão, ligado à Unifesp, é referenciado para transplantes de rim. No Interior, o Hospital das Clínicas da Unicamp, em Campinas, faz transplantes de coração e fígado; o Hospital das Clínicas da Unesp de Botucatu é referência em transplantes de rim; o Hospital de Base de São José do Rio Preto é especializado em transplantes de coração; e o Banco de Olhos de Sorocaba em córnea, entre outros centros de excelência do Estado.
Em Bauru, o Hospital de Base e o Hospital Estadual estão preparados para notificar potenciais doadores e acionar as equipes de captação, que levarão os órgãos justamente para os centros de referência onde estão os pacientes que aguardam a doação. Quanto à cirurgia de transplante, por vários anos, o Hospital de Base era referenciado para transplantar rim, porém, o hospital passou por crise financeira e administrativa entre o final da década passada e 2013, ocasião que culminou com a gestão da Famesp.
Desde então, as atividades estão sendo reestruturadas e futuramente a intenção é que o hospital volte a transplantar rim. “Quanto à captação, está sendo realizada normalmente, e a meta é ampliar cada vez mais”, comenta Fabro.
A fila de espera é nacional, coordenada pelo Ministério da Saúde, mas como boa parte dos órgãos tem de ser transplantado rapidamente, quase sempre as doações acabam sendo usadas dentro do próprio Estado, inclusive com o uso de helicópteros e aeronaves (a Polícia Militar e as Forças Armadas frequentemente dão suporte a operações de transporte de órgãos entre cidades distantes).
Tempo curto
O tempo para a retirada do órgão e o transplante no paciente receptor varia, mas, em geral, são poucas horas de prazo, explica o médico Bruno Rosa Hercos, da Comissão Intra-Hospitalar de Transplante do Hospital Estadual de Bauru. “O coração é o que precisa ser mais rápido, aí depois vem órgãos como os rins e o fígado, pulmão. Varia conforme o tempo de isquemia de cada órgão. A córnea, por exemplo, é mais tranquilo, pode ser captada até mesmo quando o coração já parou de bater, pois ela é avascular”, pontua.
Restrições
Pacientes que morreram em função de traumas (como acidentes de trânsito) ou de Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico são os que têm mais órgãos aproveitados – praticamente tudo pode ser doado. Quando a morte é motivada por causas infecciosas, a captação é mais complicada. Mortes por câncer também impedem a doação de boa parte dos órgãos – eventualmente, a córnea ainda pode ser aproveitada. “Casos de parada cardíaca, a gente também não pode doar nada, só a córnea”, relata o médico Bruno Rosa Hercos. “De qualquer forma, são feitos exames que atestam que os órgãos estão em condições de serem doados para outra pessoa”, frisa.
| João Rosan |
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| O Hospital de Base é o principal centro de captação na região |

