Tribuna do Leitor

A busca de resposta para a vida

Adriane e Emerson Togashi (filhos de Armando Togashi)
| Tempo de leitura: 3 min

Os últimos dias de vida de um homem foram notícias deste Jornal da Cidade. Mas quem é Armando Togashi? É um homem que nasceu de descendentes de imigrantes que vieram do Japão, pois acreditavam no país do futuro. Cresceu no meio de tantas culturas diferentes, mantendo as suas e incorporando novas. Acreditou que aqui poderia constituir uma família e educar seus filhos. Teve três filhos e com muito trabalho e suor conseguiu dar dignidade e formá-los, transmitindo seus princípios e mostrando os direitos e deveres de um cidadão. Você leitor está conseguindo se identificar em alguma destas linhas? Acredito que sim. Pois esta parece ser a trajetória natural da humanidade.

No dia 2 de setembro deste ano, este homem de família, de 77 anos de idade, em pleno gozo de saúde física e mental, saiu de sua casa e foi dado como desaparecido pela primeira vez na cidade de Bauru. Durante 19 dias, pouca informação foi dada aos familiares pela segurança pública desta cidade.


Por iniciativa de familiares e amigos, várias correntes surgiram em busca de informações e do paradeiro do senhor Armando, tais como os amigos Emerson Togashi (whatsapp e página na Internet), União Família Togashi (whatsapp), Encontre Togashi (site na Internet) e outras mídias como rádio, televisão e jornais, inclusive este Jornal da Cidade de Bauru.  A cada hora, a cada dia, a cada semana, a esperança e fé em Deus de encontrar o senhor Armando se fortaleciam por esta corrente humana.  


Mas todos sabiam que o tempo era precioso, pois o senhor Armando, de uma forma ou de outra, precisava de ajuda.  Os familiares e amigos andavam por ruas, praças, parques, hospitais, albergues, favelas e estabelecimentos comerciais diariamente para encontrar o senhor Armando.  No décimo nono dia de intensa procura, o corpo do senhor Armando foi encontrado nas proximidades do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) III, localidade esta de total controle e vigilância desta instituição penitenciária e de sua instituição superior, a Secretaria de Segurança Pública.


Você poderia se perguntar como uma região controlada por agentes da instituição penitenciária não encontrou o corpo em alguns dias? Somente foi encontrar após três semanas, uma vez que a perícia apontou morte natural? Será que todos os parentes e amigos da Família Togashi teriam que invadir o CPP III para de fato encontrar o senhor Armando?


Como foi dito, o senhor Armando educou e convivia com pessoas que respeitam o patrimônio público, acreditam nos direitos e deveres dos cidadãos e confiou nas pessoas deste País.  Ele, de fato, precisava de ajuda, uma ajuda que lhe era garantida por lei.


Depois de cumprir toda sua trajetória de vida com dignidade, não poluindo a cidade e pegando um transporte coletivo, cumprindo com todos os seus encargos, sendo um cidadão. As únicas pessoas que poderiam ajudá-lo, onde estavam?  Será que teremos que sempre ouvir as mesmas desculpas das deficiências do nosso País? São tantas perguntas não respondidas da morte do senhor Armando, que somente quis viver a trajetória natural da humanidade. Você que está lendo este texto está conseguindo se identificar com alguma destas linhas?

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