O que dizer sobre meu pai? Dia 25 de agosto ele foi embora. Foi ao encontro do nosso Pai Celeste, já havia cumprido sua missão de amor entre nós.
Lembro-me quando criança, na madrugada, em minha cama, sob o cobertor, quentinha, ouvir ruídos na porta de entrada de casa. Era ele saindo para o trabalho, era maquinista de trem da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. E eu imaginava-o caminhando a passos largos, pelas ruas frias, desertas, escuras, ora chuvosas, dirigindo-se para o trabalho. Era um pai responsável que cuidava com zelo de sua família.
Tinha um amor especial aos animais. Em nossa casa nunca faltou um bichinho de estimação. Tanto que, um dia, estando ele a trabalho, em Brasília Paulista, recolheu um filhote de lebre com os pelos queimados pelo fogo de um incêndio na mata. Trouxe para casa, cuidamos com muito carinho, passou a ser meu animalzinho querido, que me custou muitas lágrimas quando morreu.
Mais tarde, quando vieram os netos, foi um avô carinhoso e dedicado.
E nos seus últimos dias, com 92 anos, já debilitado, mais magro do que sempre fora, conservava seu jeitinho simples, sereno, olhar terno.
Paizinho querido, você será eterno em nosso coração. Sua filha,
Sônia Regina Conti.