Sobre o artigo publicado no jornal “Folha” – Empresa Jornalística de Vila Prudente Ltda. – do último dia 11 de setembro passado, com o título “Saúde e Planos, o efeito dominó”, de autoria do tenente Dirceu Cardoso Gonçalves, que é dirigente da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo (ASPOMIL): vamos transcrever, na íntegra, para que os nossos leitores possam ficar a par do que o senhor tenente Dirceu escreveu...
“São Paulo e o Brasil assistem o drama dos beneficiários da Unimed Paulistana que, após anos de crise, é levada a transferir sua carteira a outras operadoras, sob o risco de sofrer processo de liquidação. Mais do que o problema dos 740 mil clientes que, de uma hora para outra, podem ficar sem cobertura, esse episódio pode representar o começo da temerária quebra do sistema de plano de saúde no país, pois é sabido que muitas outras instituições também enfrentam dificuldades econômicas decorrentes de uma série de fatores que vai desde a mercantilização exacerbada do setor até os custos crescentes dos tratamentos, passando pela demagogia e pela cada vez crescente judicialização da saúde.
A demagogia política e governamental começa na própria constituição, que estabelece a saúde como direito do cidadão e dever do estado, algo que em nenhum dos governos aconteceu. A proliferação dos planos particulares de saúde que a cada dia abriga faixas maiores da população é testemunha viva do não funcionamento do setor público. É preciso encontrar um meio do texto constitucional vir a se cumprir finalmente e, principalmente se garantir os tratamentos àqueles que sofrem algum tipo de mal.
Os planos de saúde reclamam da política que agrega obrigações e inviabiliza o setor. Os clientes enfrentam grande dificuldade para pagar as mensalidades, especialmente quando mudam de faixa etária. O serviço público só funciona bem no discurso fácil dos políticos demagogos, embora consuma elevadas somas, parte delas certamente tragada pela corrupção.
Os policiais militares de São Paulo viveram anos atrás a falta de assistência na área da saúde porque o governo, embora legalmente obrigado, não conseguia prestá-la. Entendemos que o estado padecia dos recursos suficientes para a prestação de um serviço de qualidade. A própria classe, então, fundou e administra a PROPM, uma associação beneficente e sem fim lucrativos que, com uma pequena contribuição dos beneficiários, proporciona ajuda e complementa seu atendimento de saúde. É uma experiência vitoriosa que solucionou o problema da classe com baixo investimento individual. Talvez esteja aí um modelo capaz de tornar funcionais os planos de saúde e até mesmo o SUS, Santas Casas e outros hospitais filantrópicos hoje em crise. Tudo isso antes do anunciado efeito dominó!”