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Glossário próprio prolifera na crise

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 2 min

Desde a origem da Língua Portuguesa, as palavras ganham novos sentidos ao longo do tempo, conforme o contexto histórico. Quem diria que ‘propina’, por exemplo, já foi uma palavra inocente, por assim dizer? Em sua origem, na Grécia Antiga, significava o ato de estender um copo pedindo mais bebida, em troca de algumas moedas.

Até hoje em países de língua espanhola, propina é um termo que se restringe a bares e restaurantes, para designar o que nós brasileiros chamamos de gorjeta – então não se assuste se você for à Argentina ou ao Chile, por exemplo, e o garçom lhe pedir ‘propina’!

Para o professor de Língua Portuguesa, Darvino Concer, a alteração de sentido faz parte do processo evolutivo do idioma. “Temos a semântica sincrônica, que é aquela da origem das expressões, e a semântica diacrônica, que é alteração ao longo do tempo. Estas definições são do linguista Ferdinand de Saussure, e servem para mostrar que as palavras podem se manter inalteradas com o passar do tempo, ou adquirir novos significados”, aponta Concer, que é o autor da coluna “Diálogo do Português”, publicada semanalmente aos domingos no JC Cultura.

Depreciação

Dentro desta perspectiva, o professor Darvino Concer avalia que as palavras podem ganhar com o tempo um sentido de valoração ou de depreciação. “No caso da expressão Lava Jato, até pouco tempo atrás significava apenas uma lavanderia, ou um lugar onde se lavam carros. Hoje, é um termo que denota a corrupção também, por conta da investigação que ganhou este nome”, pondera.

Ele lembra que a polissemia é justamente este fenômeno, de quando as palavras ganham múltiplos sentidos. “Uma palavra ou expressão pode perfeitamente ser polissêmica, ou seja, significar várias coisas, o que vai mudar e identificar o significado naquele momento é o contexto”, conclui.

Nomes das operações

As operações da Polícia Federal (PF) têm recebido diversos nomes desde 2002. Oficialmente, cada delegado tem autonomia para definir o nome da ação, mas até 2007 havia um entusiasta no assunto, o delegado Zulmar Pimentel, que era quem aprovava ou alterava os nomes, de acordo com o site Terra. Pimentel foi afastado da PF ao ser alvo da Operação Navalha, que curiosamente tem a analogia de fechar-se em si mesma, podendo cortar quem a usa.

Entre as operações da PF, a Lava Jato é de longe a maior já realizada, chegando a quase 20 fases, desde 17 de março de 2014, investigando pessoas envolvidas em crimes como lavagem de dinheiro, corrupção ativa e evasão de divisas no escândalo conhecido como “Petrolão”, por conta dos desvios na Petrobras. A Lava Jato está agora sendo desmembrada, e rendeu também operações paralelas de investigação, como a “My Way”, “Que País é Esse”, “Erga Omnes”, “Politeia e Pixuleco”.

Desde 2002, outras operações que tiveram destaque foram a “Anaconda” (2003), “Praga do Egito” (2003), “Vampiro” (2004), “Dragão” (2005), “Dominó” (2006), “Saúva” (2006), “Tridente” (2006), “Sanguessuga” (2006), “Navalha” (2007), “Jaleco Branco” (2007), “Satiagraha” (2008), “Caixa de Pandora” (2009), “Castelo de Areia” (2009) e “Refino” (2011).

 

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