Polícia

Construção civil: empresa é acusada de aplicar vários golpes

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação
As queixas das vítimas recaem sobre a Medeiros de Barros

Uma construtora sediada em Bauru é acusada de provocar prejuízos a várias empresas situadas no Interior do Estado de São Paulo. Quatro delas a acusam de estelionato, em boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil. As investigações não descartam a possibilidade de tratar-se de uma construtora “fantasma”, cujo esquema pode ter rendido muito dinheiro.

As queixas recaem contra a Medeiros de Barros que, segundo seu próprio site, estava instalada no Jardim Contorno. Atualmente, outro estabelecimento funciona no endereço. Por enquanto, o prejuízo estimado  é de R$ 240 mil, somando os quatro casos. Outros empresários, no entanto, podem reclamar perdas, admite o delegado Fábio Mariotto (leia mais abaixo).

O caso chegou até ele depois de o representante de uma empresa com sede em São Carlos (156 quilômetros de Bauru) procurar a Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru, no final da noite da última quarta-feira (7). Veio à cidade cobrar dívida de R$ 12.240,00, referente a compras de blocos e canaletas de concreto. No entanto, encontrou no local onde a Medeiros de Barros estava sediada uma outra que se instalou no imóvel há pouco tempo. O proprietário deste prédio alugado, segundo a polícia, diz que, há cerca de três meses, pessoas não identificadas interromperam os trabalhos por ali. O antigo locatário não foi encontrado.

Convincente

Da empresa de São Carlos, José Roberto Storti Junior afirma que os contatos foram feitos por telefone e a venda foi realizada somente após ser constatada a suposta legitimidade da construtora. “O cara tem uma lábia que eu nunca vi igual. Ele cerca, convence. Se passou por milionário, de posses e dono de transportadora. A loja fez vendas e realizou cinco viagens até Bauru para entregar blocos e canaletas de concreto. Ele quis que os produtos fossem entregues em uma chácara no Vale do Igapó”, comenta.

Depois, Storti Junior ficou sabendo que não era o único do mesmo ramo a tornar-se vítima. Com a ocorrência em mãos, o investigador de polícia de Bauru Fábio Luis Legramandi e sua equipe fizeram uma pesquisa minuciosa e encontraram dois casos semelhantes, ocorridos entre junho e julho deste ano. Ambos, segundo o policial, envolvendo a Medeiros de Barros. A reportagem tentou contato com a construtora nos últimos dois dias, mas o telefone está fora de serviço.

Polícia Civil investiga o caso e faz um alerta

O delegado Fábio Mariotto confirmou a investigação de uma possível quadrilha que investe em golpes no ramo de materiais de construção, justamente porque os produtos têm grande procura, mas cujo rastreamento é praticamente impossível como acontece com produtos eletrônicos, por exemplo.

“O esquema utilizado pode envolver milhões de reais. É muito bem feito. Envolve ‘gente grande’ e com muitos contatos que conseguem driblar a Receita Federal. Acredito que ainda tem muitas empresas que devem aparecer aqui na CPJ de Bauru ou em suas cidades para registrar o mesmo golpe. É preciso estar alerta na hora de fechar uma venda. Eles compram, dão calote e vendem com custo abaixo de mercado”, comenta o delegado. O caso segue sob investigação.  

Mais denúncias

Além da loja de São Carlos, outras duas empresas procuraram a CPJ de Bauru para denunciar a mesma construtora. Uma de Presidente Prudente (282 quilômetros de Bauru) alega que a Medeiros de Barros alugou, no dia 28 de julho, uma empilhadeira da marca Hyundai 25L-7 e desapareceu com a máquina. O prejuízo, segundo a empresa, foi de mais de R$ 50 mil.

“Tudo foi negociado pelo telefone aí de Bauru. O frete e a locação do veículo. Assim que venceu o primeiro mês do aluguel, eles, estranhamente, nos enviaram um comprovante para comprovar pagamento. Isso não é comum porque se você paga, o meu sistema fica sabendo. Foi aí que suspeitamos da fraude”, explica o dono da empresa, Luciano Manganaro.

Uma semana antes, no dia 21 de julho, uma companhia de Leme (205 quilômetros de Bauru) também teve prejuízo em materiais de construção, avaliados, aproximadamente, em R$ 32 mil. Quantia é referente a churrasqueiras pré-moldadas, fornos caipiras, fogão à lenha, entre outros. “Eu e minha namorada fomos até a empresa no Jardim Contorno para constatar se ela existia. E, na época, em julho, existia. Inclusive, possuía vários materiais de construção no local, empilhadeira e algumas pessoas por ali”, acrescenta o gerente Gustavo Fleury.

O chefe de segurança de uma loja da cidade de Santa Cruz da Conceição, vizinha à Leme, afirma que também teve um grande prejuízo com a mesma construtora. De acordo com Geraldo Rodrigues, o valor do prejuízo passou de R$ 121 mil. Todas estas empresas registraram boletins de ocorrência em suas cidades e disponibilizaram cópias ao JC.

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