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Repensando o Brasil

Fernando Pinho
| Tempo de leitura: 3 min

No fim do mês de agosto passado, ocorreram dois eventos no Brasil, de suma importância para melhor entender o atual momento político/econômico/social por que passam o país e o resto do mundo, bem como suas inter-relações, visando traçar variados cenários. No período de 27 a 29/8, ocorreu na aprazível Campos de Jordão a Edição 7 do Congresso Internacional de Mercados Financeiros e de Capitais, organizado pela BM&F Bovespa. A situação fiscal e respectivos desdobramentos nas diversas variáveis macroeconômicas, incluindo a China e alta dos juros norte-americanos, foram os principais temas abordados por muitos especialistas. Delfim Neto afirmou: “Estamos em um esforço de guerra, mas já perdemos a guerra”. Pedro Parente (ex-ministro), atual presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Valores, criticou a contradição entre a exigência de sacrifícios da população pelo aumento de impostos, elevação de preços e prolongamento da recessão e a ausência de um projeto para o Brasil, “que tem tudo para se aproximar dos líderes globais e não faz isso por nossa exclusiva responsabilidade”. Affonso Pastore, economista de formação ortodoxa e um dos mais respeitados e competentes ex-presidentes do BC, afirmou que o Brasil está na “soleira da dominância fiscal”, situação onde um grave problema fiscal impacta a economia, afrouxando a eficácia da política monetária, no tocante a combater a inflação e a volatilidade cambial.

O físico e economista Samuel Pessoa (Ibre) enfatizou a existência da armadilha fiscal provocada pelo crescente e incontrolável impacto das despesas previdenciárias e sociais. O cenário futuro considerado pelos especialistas inclui a expectativa de que a inflação, depois da queda esperada em comparação com os picos atuais, volte a subir acima do teto da meta de 6,5%. Afirmam que a inflação não vai descontrolar-se, mas vai crescer e aí o governo arrecada novo imposto, o inflacionário e a senhoriagem. Quanto à trajetória da Dívida Pública, deve alcançar 70% do PIB em 2018, e o país terá ajuste com inflação ou mais impostos.

Em 31/8, ocorreu em São Paulo o já tradicional Exame Fórum - Prepare-se para Planejar 2016 e Superar a Crise – Como o Brasil vai Reconstruir as Bases do Desenvolvimento. A edição deste ano começou com uma brilhante exposição feita pelo juiz Sérgio Moro, a respeito da condução da Operação Lava-Jato e seus possíveis desdobramentos na economia. Ricardo Sennes, economista e cientista político, afirmou que “o Brasil passa por um período de crise política, mas não institucional, e boa parte decorrente da natureza de seu sistema político”. E que a origem da crise política é anterior à crise econômica, mas derivada da Lava-Jato. Terminou sua preleção afirmando que “ainda que a eleição presidencial de 2018 esteja relativamente distante, não despontam até o momento, tanto no governo quanto na oposição, lideranças capazes de concorrer e vencê-la com folga”. João Augusto Nardes, ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), afirmou que a estrutura da administração pública brasileira favorece a ineficiência e a corrupção, pois o modelo que o Brasil adota permite que questões partidárias se sobreponham ao interesse público. Por isso, o Brasil administra o dinheiro público de forma tão amadora. Enfatizou que, há muitos anos, o tribunal vêm alertando o governo a respeito do fato de que as contas nunca fecham (uso descarado da chamada contabilidade criativa ou pedaladas fiscais). Terminou sua explanação afirmando que é imperativo mudar o modelo da administração pública, senão o ajuste fiscal não funcionará novamente. E, que, como o serviço público não é avaliado nem monitorado, não há espaço para a meritocracia (que é a única maneira de premiar os mais capacitados e descartar os preguiçosos e incompetentes).

Abílio Diniz dissertou sobre os desafios e experiências de sua extensa vida empresarial e conclamou os brasileiros a continuar trabalhando duro, já que o país é mais forte que qualquer adversidade política. Nos 2 eventos, a mesma mensagem foi transmitida aos participantes. O Brasil só tem uma saída para desenvolver-se de forma sadia e contínua: menos Estado e mais Mercado.

O autor é economista - Blog: www.fpinho.com.br

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