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Envelhecer é preciso

Katya Sette
| Tempo de leitura: 2 min

Desde o início dos tempos, o homem procura lidar com a velhice e se depara com algumas questões que perpetuaram através dos séculos. Como conservar sua identidade com tanta maturidade e como fazer para pertencer a um grupo, já que todo ser humano necessita viver com seus pares?


Ninguém é feliz sozinho. Parece coisa fácil essa de continuar pertencendo a um grupo, mas na velhice acontecem perdas: primeiro os filhos batem asas, depois vem a aposentadoria, pessoas que se vão antes do tempo deixando  saudades e assim por diante. Com isso, nos deparamos muitas vezes com a solidão e com a ausência de pessoas. Mesmo porque não é fácil reuni-las depois de certa “idade”. Tem aqueles que se dedicam somente aos netos, outros se fecham num casulo, e ainda há aqueles que guardam os amigos na gaveta. Têm também aqueles que só se lembram das dores e só sabem falar de problemas e ainda os que dão receitas para tudo. Ou ainda assistem a todos os programas de culinária (quem não se derrete com o charme do Rodrigo Hilbert ou o encanto da Rita Lobo na cozinha).


O que se tira de tudo isso é que precisamos continuar na construção de nossa identidade e aprender a apreciar a leveza da vida. A velhice nos traz o tempo. Ah! O tempo. Tempo de olhar com os olhos do coração o canto de um pássaro, o sol se pondo, o sorriso de uma criança, o sabor de uma comida saudável e, principalmente, a vida, uma vida sem tantas amarras, sem relógio. A vida pulsando em nós, hoje mais maduros, mais serenos. Podemos principalmente aprimorar nossa personalidade única, e usufruir de nossas mordomias, conquistadas com suor e lágrimas.


A partir dessa reflexão, é possível “sentir” o mundo de forma muito mais prazerosa. Depende de cada um. Por isso, façamos um exercício de desprendimento, vamos aprender a dançar, vamos escutar música, jogar conversa fora, assistir a um bom filme, aprender principalmente a equilibrar a serotonina do corpo, sem remédio e, por último, sonhar. Não existe lei que proíba o homem de sonhar. Sonhar com as possibilidades futuras e como construir essa tão buscada paz interior e necessária para nossa velhice. A construção da felicidade independe de idade cronológica, afinal envelhecemos desde o dia em que nascemos.


Precisamos reaprender a usar o movimento, a ação, o ritmo e continuar essa balada da vida. Cabe aqui a frase célebre de Charlie Chaplin: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”. A vida continua pulsando em nós a cada dia, o horizonte se desenha com palavras generosas e também com nosso silêncio. Envelhecer é preciso...


A autora é pedagoga/assistente social

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