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Ágata: a guerreira descansou...

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Reprodução Facebook
A aguerrida batalha de Ágata pela vida mobilizou centenas de pessoas nos últimos meses

Mesmo ainda desconhecendo o arquirrival, Ágata Munhoz iniciou sua luta contra um tumor cerebral em fevereiro de 2014, quando os primeiros sintomas da doença surgiram. O diagnóstico só veio cinco meses depois, após idas e vindas ao médico. Desde então, sua força e vontade de viver encantaram e mobilizaram centenas de pessoas. Mas, na noite do último sábado (17), a pequena guerreira, de apenas 10 anos, pôde descansar.

Por volta das 19h30, os pais da menina receberam um telefonema do Hospital das Clínicas de Botucatu, onde ela estava internada desde julho do ano passado. Eloana Maria Munhoz e Itallo Pablo Souza Braga, moradores do Santa Edwirges, se dirigiram para lá imediatamente e foram informados sobre o óbito.

Até cerca de um mês atrás, eles estavam otimistas e esperavam que a filha pudesse, brevemente, receber alta e voltar para casa. A doença havia estacionado e a família, conseguido, na Justiça, que o Estado instalasse um ‘home care’ em sua residência.

No dia 22 de setembro, porém, ela começou a passar mal: o tumor havia retornado de forma agressiva, tomando conta do cérebro e afetando seu coração e sua respiração. Por conta da gravidade do quadro e de uma primeira parada cardíaca sofrida na última sexta-feira, Ágata estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o que impedia a permanência dos pais ao seu lado, como vinha acontecendo nos últimos meses.

Amigos da família relatam que, desde a última recaída, a guerreira já não conseguia mais falar e tinha o olhar parado. Apenas lágrimas saíam de seus olhos...

A LUTA

Quando surgiram os primeiros sinais do câncer, nem os médicos nem a família de Ágata imaginavam que um tumor pudesse estar provocando os vômitos constantes, inicialmente diagnosticados como refluxo.

Até julho do ano passado, a menina vinha emagrecendo subitamente e começou a apresentar sintomas neurológicos, como passos tortos e dificuldades de ficar em pé.

Após muitas passagens por médicos, uma tomografia solicitada pelo Pronto-Socorro Central apontou a existência do meduloblastoma (tipo de tumor no cérebro).

Ágata, então, foi imediatamente transferida para o Hospital das Clínicas, em Botucatu, onde ficou até sua morte. Ao longo dos últimos 15 meses, passou por 13 cirurgias, incluindo a retirada do tumor, e também foi submetida a sessões de quimioterapia e radioterapia.  

O tratamento agressivo baixava a imunidade da menina, que sofreu diversas infecções. O movimento das pernas e a fala também foram afetados, mas a guerreira conquistou relevantes melhoras com o auxílio da fisioterapia.

MOBILIZAÇÃO

Durante toda a luta, os pais de Ágata permaneceram firmes ao lado da menina. Cada semana, Eloana ou Itallo a acompanhavam no hospital, já que têm outros dois filhos mais novos: Pietro, de 6 anos, e David, de 3.

Para se dedicar de forma tão intensa à filha, o casal viveu graças a doação de amigos. Por esse motivo, foi criada a campanha “1 Minuto pela Ágata”, que mobilizou centenas de pessoas pelas redes sociais.

“Além de tudo, os pais tinham que custear as constantes viagens para Botucatu”, conta a jornalista Rose Araujo, uma das responsáveis pela página da corrente solidária no Facebook.

João Rosan
Comoção e emoção marcaram a despedida de Ágata na tarde desse domingo (18), no Jardim dos Lírios

Além de duas contas bancárias disponibilizadas para doações à família, cerca de 10 eventos beneficentes em prol de Ágata foram promovidos nos últimos meses.

“Foi uma luta muito intensa. Ela era uma guerreira. E a família sempre esteve junto, dando seu melhor. Fizeram tudo e mais alguma coisa por ela. Que os pais possam seguir em frente, levando apenas bons sentimentos de toda essa história”, diz Rose.

O adeus

Na noite do último sábado (17), a página da campanha “1 Minuto pela Ágata” no Facebook confirmou a morte da menina, despertando a comoção entre internautas. Milhares deles curtiram, comentaram ou compartilharam a notícia, manifestando seu apoio e solidariedade à família.

Leia trecho da postagem: “Foram apenas 10 anos, rápidos 10 anos de vida... E ensinamentos para a eternidade! Você nos mostrou que a força está dentro de cada um de nós. Que a fé move montanhas. Que a vida pulsa em cada segundo de nossa existência, mesmo naqueles momentos difíceis, em que nos prendemos aos nossos pensamentos ruins e não enxergamos a beleza divina. Você uniu milhares de pessoas em oração. Fez todos acreditarem no poder de Deus e mostrou a garra que só as nobres almas possuem. Seu espírito é muito grandioso e não pôde ficar preso apenas ao corpo físico. Por isso, você se foi tão cedo, deixando tamanha saudade em nosso peito. Ágata, você é uma vencedora!”.

 

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