Tribuna do Leitor

Mudar a escola para o pior

Prof. Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Pais, alunos, professores e também diretores devem estar altamente preocupados com a propalada reestruturação da rede de ensino estadual que, segundo a Secretaria da Educação, objetiva agrupar em determinadas escolas os níveis fundamental e médio, justificando pela diminuição da clientela e uma melhor qualidade de ensino, mas que, no fundo, constata-se não ser aquela a meta, mas o corte de gastos em educação. A preocupação dessa reestruturação está sendo constatada em Agudos, Bauru, Ibitinga, Capital, enfim, em todo o estado através das manifestações de pais, alunos, vereadores e prefeitos. O que é pretendido com esta reestruturação? Reunir em determinadas escolas polos somente alunos do ensino fundamental e em outras, os de ensino médio.

      

O resultado é óbvio, classes superlotadas de alunos gerando graves problemas disciplinares, baixando mais ainda o nível do nosso ensino que já não é bom, não por culpa do professor, mas pelos próprios governos por não oferecerem as necessárias condições. E os problemas de locomoção dos alunos que surgirão nas médias e grandes cidades e, principalmente em São Paulo?


O poder público assumirá o compromisso de levar o aluno à escola que lhe é destinada, ou ficará a cargo dos pais. Já sobrecarregados e principalmente neste momento em que tanto se fala de crise? E os 1000 prédios da rede existentes que ficarão desocupados. O que acontecerá com os mesmo já se pode imaginar. Com um dado estatístico citado como justificativa eu concordo, aquele de que houve diminuição em nascimentos, de que as famílias hoje têm menos filhos. Mas deve ser ressaltado principalmente que, do milhões de alunos da rede pública, ao longo do tempo, milhares migraram para as escolas particulares por terem condições de oferecer um melhor nível ou qualidade de ensino. A preocupação dos pais, por uma melhor qualidade de ensino e educação foi determinante no crescimento da rede de escolas particulares.


Merecem destaques as pontuais escolas estaduais que, por uma série de fatores continuam logrando projeções nos vários processos de mensuração e classificatórios. Apavoro-me com as reformas incoerentes que, ao longo de minha vida como educador, acompanhei e participei e que levaram a nada, perdendo-se no tempo. Tempo perdido! Como aquela de 1975, na implantação da LDB 5692/71, quando se transformou o antigo grupo escolar em ensino de primeiro grau, agora fundamental (5 anos) e o colegial em segundo grau, agora ensino médio (4 anos).


E foi nessa implantação da citada lei que aconteceu um retrocesso, a extinção da rede industrial de ensino integrada por excelentes ginásios e colégios industriais. Essa extinção constituiu um significativo atraso na profissionalização do alunado daquela época e um golpe para a indústria que deixou de receber mão de obra qualificada. O sucateamento das máquinas mais modernas à época dessas escolas conhecidas e famosas em Bauru e região com a aplicação de milhões investidos faz-me, lembrar o destino dos nossos trens. Aproveito e faço uma pergunta para você leitor que não é professor.

      

Qual é melhor, dar aula em uma sala de aula superlotada de alunos desinteressados ou em outra, com menos alunos, mas interessados? Este preocupante capítulo da educação em nosso estado evidencia o seu status ou condição acessória e não de peça fundamental. Não é levada a sério porque sempre se preocupa em “dar um jeito” com a mesma, acomodando-a aos momentos históricos. Triste compreensão e entendimento, pois somente ela pode quebrar o círculo vicioso em que nossa sociedade está estagnada.

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