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Medina: dar voz a advogado empregado

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Defender os advogados empregados em grandes escritórios de Bauru: este é o principal mote da chapa “Bauru Pela Ordem”, encabeçada por Marcus Medina, que disputa a eleição para a diretoria da subseção local da OAB, marcada para o dia 18 de novembro. O candidato a presidente afirma que a ideia é dar voz a um contingente grande de profissionais, historicamente sub-representados pela entidade de classes.

Quioshi Goto
Marcus Medina encabeça a chapa “Bauru Pela Ordem” no pleito que acontece no próximo dia 18

“Nossa intenção não é brigar com esses escritórios, que também recebem pouco pelas licitações que vencem dos bancos para a prestação de serviços. No entanto, temos que buscar mecanismos para que esse pessoal tenha força. Uma coisa é um profissional, normalmente jovem, dar a cara para bater em busca de seus direitos. Outra coisa é a Ordem intervir”, pontua. 

Medina diz que seu grupo chegou a frequentar reuniões de outros candidatos que concorrem à presidência da OAB, mas afirma que essa bandeira sempre foi deixada de lado pelos atuais adversários. “Isso nos motivou a apresentar a chapa. Por esse motivo até, a nossa inscrição se deu na última hora, no dia do prazo. Só que todo mundo está abraçando a causa, de forma até inesperada, com muita paixão”.

Tanto Marcus quanto os demais membros da chapa já trabalharam ou ainda atuam como empegados em “escritórios de massa”, termo utilizado, segundo o candidato, por conta do alto volume de atividade desses profissionais.

O presidenciável estima que mais de 600 advogados da cidade estejam inseridos nesse grupo, mas ressalta que não é possível precisar o número por falta de dados deste tipo disponibilizados pela atual diretoria da Ordem. “Proponho, inclusive, um censo para sabermos quais profissionais atuam em quais áreas na subseção”. 

SALÁRIO E ASSÉDIO

 

Para Medina, dentre as principais dificuldades enfrentadas pelos advogados empregados, estão os baixos salários. “Já tem gente trabalhando em home office recebendo R$ 3,00 por recursos”.

O candidato critica ainda a atuação do sindicato que defende a categoria em Bauru e, segundo ele, fixou em R$ 1.200,00 o piso da remuneração. Em São Paulo, esse valor seria de R$ 1.400,00. “Nós temos que usar terno. Em uma loja popular, não custa menos do que R$ 300,00. O advogado é tratado como gado. Sei que o termo é pesado, mas a realidade é muito triste”.

Marcus ressalta que esses profissionais são, constantemente, vítimas de assédio. “Todos nós já sentimos na pele. Se alguém levanta para ir ao banheiro três vezes seguida, já vem um coordenador para questionar. Eu fui demitido de um escritório porque me recusei a ajudar em uma mudança”.

OUTRO LADO

 

O candidato reconhece, no entanto, que os grandes escritórios são mal remunerados. Em licitações promovidas por bancos, chegam a cobrar R$ 5,00 por processo. “Eles são importantes, empregam muitos profissionais recém-formados e também precisam da defesa da OAB. A entidade tem força para isso, mas ninguém quer mexer no vespeiro”, avalia.

CHAPA 5 – Bauru Pela Ordem

Marcus Medina - Presidente
Jaqueline Komiyama - Vice-presidente
Raphael Panuchi -  Secretário Geral
Kelma Zili -  Secretária Adjunta
Fernando Empke - Tesoureiro

Incentivo

A chapa propõe a criação de espaços com estrutura – pessoal e material – para serem utilizados por advogados em início de carreira, que ainda não têm condições de custear a abertura de seus próprios escritórios e acabam sendo recrutados pelas empresas de massa.

“O jovem advogado terá condições de receber seus primeiros clientes, que já teriam uma boa impressão. Seria em um local próximo ao Fórum, de responsabilidade da Ordem. Até alguns profissionais conveniados da Defensoria Pública enfrentam essa dificuldade. Outros deixam de fazer o convênio porque não possuem uma sala. E a ideia é possibilitar atendimento com horário estendido para ajudar aquele advogado empregado, que bate o cartão às 18h”, explica Medina.
O grupo cogita ainda disponibilizar, pela OAB, transporte exclusivo para os advogados que não têm veículo próprio e enfrentam dificuldade para se locomover entre os fóruns.

 

Candidato critica burocracia estar à frente da representatividade hoje

 

Alinhado à candidatura de Sergei Cobra – que concorre à presidência da OAB no Estado de São Paulo –, Marcus Medina considera o principal defeito da gestão atual a burocratização da entidade. “Tem servido apenas para chancelar decisões do Poder Judiciário”.

Segundo ele, a Ordem perdeu representatividade e vive, hoje, somente da fama que conquistou no passado, quando exercia papel combativo e discutia os temas que envolviam a sociedade.

“Agora, estamos à deriva com comando falho. Onde está aquela OAB que protagonizava os principais momentos da história do País?”, questiona.

 

MOTIVAÇÕES

 

Medina diz ainda que, em todas as esferas, há pessoas e grupos que tentam se utilizar da entidade em busca de autopromoção. 

“Tem presidente do Conselho Federal que quer ser ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Daí, a gestão fica comprometida. Por aqui, muita gente pretende fazer da Ordem seu trampolim político e não tem o objetivo de defender a advocacia. Na nossa chapa, não existe vaidade pessoal. Muita gente diz, aliás, que não nos conhece. É claro: estávamos atrás de uma baia de escritório até pouco tempo atrás”, revela o candidato.

DEFESA

 

Marcus reitera o compromisso de defender, de forma intransigente, o respeito às prerrogativas do advogado. “Todo mundo fala que vai fazer, mas ninguém faz. Ninguém quer se indispor. Nós estamos dispostos”.

O candidato relata que, sem respaldo, muitos profissionais chegam a ter medo de juízes e promotores. “Em Bauru, tem juiz que se recusa a nos atender, que manda advogado calar a boca. Quem está começando, é claro, não bate de frente para não ficar marcado. Esse profissional precisa da OAB mais presente e atuante”.

Campanha

 Marcus Medina lamenta o nível da campanha para a presidência da OAB em função de falsos perfis criados no Facebook com o intuito de atacar sua candidatura. 

“Nossa página tem sido muito curtida. Estamos recebendo retornos extremamente positivos. Mas tem gente que não tem espírito democrático. Esse outro perfil tem dito barbaridade, com ataques pessoais e frontais”, pontua o candidato.

Segundo ele, os próprios advogados perdem com esse tipo de situação, que acaba tomando o espaço que deveria ser ocupado pelo debate de propostas das cinco chapas concorrentes.

“O que mais me chateia é que alguns profissionais de outras chapas curtem aquelas barbaridades. Somos adversários políticos e não inimigos. Até porque, no dia 19 [de novembro, depois da votação], vamos precisar um dos outros. Estaremos todos no mesmo barco outra vez”, ressalta o candidato Marcus Medina.

 

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