| João Rosan |
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| O médico José Garbino escreveu dois capítulos do livro “Hanseníase: Avanços e Desafios” |
Se descoberta logo no início, a hanseníase pode ser facilmente tratada, diz o especialista em neurofisiologia clínica, José Antonio Garbino. No entanto, segundo o médico, a associação dos sintomas à doença em si precisa ser revista. “Falta um melhor diagnóstico e investigação por parte dos médicos”, aponta.
A questão levou especialistas a compartilharem conhecimento através de um livro: “Hanseníase: Avanços e Desafios”. Parte dos autores são pesquisadores do Instituto Lauro de Souza Lima, em Bauru. A obra, editada na Universidade de Brasília (UnB), foi lançada no início do ano e, no próximo dia 20 deste mês, será relançada em Bauru, durante um curso de ancenologia.
O evento acontece na sede do Instituto e espera reunir médicos dermatologistas da cidade e região. “O convite já foi feito”, reforça Garbino, que escreveu dois capítulos do livro, relacionados a neurologia da hanseníase. Ele ressalta a importância do conteúdo trazido no exemplar para melhor entendimento da doença e, consequentemente, eficácia no tratamento.
“A hanseníase é caracterizada por complicações no sistema nervoso e aparecimento de manchas pelo corpo. Esses sintomas precisam ser melhores analisados para diagnosticá-la cada vez mais cedo, pois é uma doença complicada e pode até evoluir escondida. O livro divulga para os médicos como diagnosticar e tratar a hanseníase”.
“A situação atual é preocupante, pois a hanseníase está com reincidência alta no Brasil. Para se ter uma noção, a média é de 35 mil novos casos por ano no País”, detalha Garbino, mas pondera que, no Estado de São Paulo e, especificamente em Bauru, a doença está controlada. “Tem casos em que a pessoa volta a ter a infecção, mas, no geral, está estável”, reforça.
Em nota, a prefeitura informou que Bauru contabiliza oito casos notificados de hanseníase de janeiro a outubro deste ano. Em 2014 inteiro, foram 10 casos.
Serviço
O relançamento do livro “Hanseníase, Avanços e Desafios” será realizado no próximo dia 20 deste mês, às 8h30, no Instituto Lauro de Souza Lima, em Bauru, que fica na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), a Bauru-Jaú, entre os quilômetros 225 e 226. O evento é aberto a médicos da cidade e região. Para participar, é preciso fazer uma inscrição através do telefone (14) 3103-5867.
A doença
A hanseníase, que ficou conhecida como lepra, é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae. Foi descoberta em 1873. Hoje, em todo o mundo, o tratamento é oferecido gratuitamente. O Instituto Lauro de Souza Lima, fundado na década de 1930, funcionou como asilo-colônia para os portadores de hanseníase até a década de 1960, quando a internação dos pacientes deixou de ser compulsória. Mesmo assim, há internos daquela época vivendo no Instituto.
O lugar era como uma cidade com toda estrutura para trabalho, atividades culturais e convivência dos internos. Inclusive, eram enterrados em um cemitério próprio, já que se acreditava que mesmo o cadáver poderia transmitir a doença. Hoje, o Instituto Lauro Souza Lima é referência no estudo e pesquisa sobre a hanseníase.
