Bairros

Feirante: de geração a geração

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 2 min

Douglas Reis
Tainá dos Santos, 19 anos, escolheu ser feirante com a mãe Edneia

De terça-feira a domingo, as feiras têm lugar garantido nos bairros bauruenses. Entre frutas, verduras, legumes, gastronomia típica, artesanato e um mundo de cultura e tradição populares preservadas, lá estão eles procurando um lugar ao sol: os jovens feirantes.

Embora representem a minoria dos trabalhadores, eles ainda se interessam pelo ofício passado pelos pais e avós.

Tainá dos Santos tem 19 anos e há cerca de 10 deles tem contato diário com a rotina do cultivo e venda de hortaliças. Ao lado da mãe, Edneia Cirillo, ela monta a banca da família nas feiras do município. É um exemplo do aprendizado que passa de pai para filho e que se transforma em profissão.

“Meu pai já trabalhava com isso quando se casou com minha mãe. Ela passou a trabalhar com ele, e eu com ela. Começamos vendendo as verduras nas ruas. Depois adotados as feiras como pontos de venda. Parte do que vendemos é produzida por nós”, conta a menina que, embora estude teologia, diz não ter a intenção de seguir outra profissão, ao menos por enquanto.

Incentivo
Kelly Vitória Jesus Pires tem 11 anos e já gosta do trabalho dos avós feirantes. Gosta tanto que sempre que pode acompanha “seo” Milton Pereira Garcia e dona Maria José Pires ao trabalho. E tudo começa no sítio, com a plantação.

“Eu gosto de ver tudo o que eles fazem. Acho bonito ver plantar, cuidar das verduras e colher. Depois da escola eu gosto de ajudar a colher as folhas. E também gosto muito de vir com eles à feira para vender”, comenta.  

Segundo o avô, é importante mostrar para os mais novos como o trabalho com a terra pode ser gratificante: “Afinal, é uma herança que temos vontade de deixar para os netos. Nossos pais nos ensinaram a lidar com a terra e é bom passar adiante”, acredita “seo” Milton.


‘Eles mostram que a tradição não se perdeu’

É bem verdade que os jovens feirantes representam a minoria dos profissionais (leia mais na página 2), mas eles mostram que a tradição não se perdeu, na opinião da fiscal da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra) Leninha Estevan. 

“Os que trabalham com esse ofício normalmente são aqueles que já vêm de família de feirante. Infelizmente não observo aumento no número de jovens com essa profissão. Alguns começam a trabalhar e param um tempo depois, porque é um trabalho que exige acordar muito cedo, por exemplo”, analisa. 

Leninha circula por todas as feiras do município. Ela observa que, durante a semana, os aposentados e pessoas que não trabalham fora de casa “dominam” os espaços. Aos fins de semana ou em horários alternativos, como as feiras noturnas, as crianças acompanhadas pelos pais e os jovens fazem delas (feiras) um espaço de lazer.

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