Estamos rodeados de tragédias. A violência é cada vez mais agressiva e aviltante. Ela está mais perto de nós do que imaginamos. Os telejornais sangrentos, aqueles que gostam de ver sangue espirrando nas câmeras, mostram dia após dia os inúmeros de casos de violência contra a mulher, crianças abandonadas por mães desestruturadas em todos os sentidos. A vida é cada vez menos valorizada. Estamos rodeados de pessoas que foram assaltadas, outras que estão com medo de sair de suas casas, outras que foram vítimas do cyberbullying, ou de ataques virtuais. A violência nos rodeia.
Fomos tomados de surpresa com a notícia do rompimento das barragens da cidade de Mariana-MG. A notícia nos pegou desprevenidos, mas não as pessoas responsáveis pelas barragens, pois os responsáveis sabiam das dificuldades estruturais das barragens. A culpa pelo rompimento pode até ser do tremor de terra, mas o homem seduzido pelo poder do capital faz da natureza fonte de recursos apenas. A lama que ainda escorre e vai desembocar no mar é tóxica. É carregada de metais pesados usados na mineração. É triste ver que por onde passa a lama, ela causa destruição. A destruição das cidades por onde a lama passa é incalculável. A lama derrubou casas e sonhos, matou animais e seres humanos, destruiu vilarejos e uma cidade inteira. A lama sequestrou
A notícia do ataque terrorista em Paris também nos chocou. A notícia de Paris obviamente ganhou maior repercussão, por conta de sua fama pelo mundo. Talvez se a cidade de Mariana fizesse parte do roteiro gastronômico, da cultura e da moda, ganhasse mais notoriedade diante da mídia. A França pela segunda vez nesse ano sofre com o extremismo religioso. É triste ver pessoas religiosas com fúria e com o desejo de dominar eliminam pessoas como se fosse algo normal e natural. A brutalidade e truculência do extremismo religioso é umas das facetas mais horríveis do ser humano. É triste ver a religião sendo usada como instrumento de conflito e não de paz.
Na mesma semana, em um pequeno espaço de tempo, somos informados da lama e do sangue. Ambos escorrem. Mariana chora seus mortos e Paris também. O símbolo da tragédia de Mariana é a lama, e de Paris é o sangue. Lama e sangue escorrem e a vida pede passagem. A vida é tão rara e o ser humano com sua ambição, revolta, egoísmo, e desamor insiste em matar. A violência tanto como do caso de Paris, em nome de uma divindade religiosa, como a violência de Mariana, em nome da divindade do capital, revelam o lado feio do ser humano distante de Deus. O ser humano longe de Deus só provoca destruição e um lastro de violência.
Assim como Mariana não é apenas um caso de violência que exalta a ganância humana no Brasil, o ataque terrorista também não é o ataque extremista em Paris. Seja em Minas Gerais, seja em Paris e em qualquer lugar do mundo, as pessoas precisam conhecer a Jesus, o Príncipe da Paz. Diante de tantas noticias violenta podemos perceber o grau de maldade que o ser humano deixa habitar em seu ser. A violência revela nossa desobediência diante dos propósitos do Deus Criador. O homem criado por Deus com Sua “imagem e semelhança”. Diante das tragédias percebemos o quanto precisamos proclamar a paz, viver o amor e investir para que as próximas gerações não sejam seduzidas pelo dinheiro, pelo poder e pelo egocentrismo. Ver as tragédias e não se comover com as vidas ceifadas também é violência. É mais fácil criticar a violência dos outros do que olharmos para nosso coração corrompido pelo pecado.
Olhemos para Deus em oração pedindo perdão por nossa negligência. Diante das notíciais das tragédias, temos muitas explicações e argumentos, mas não nos comovemos a pensar no mundo com olhar missionário. A lama e o sangue escorrendo devem nos levar à reflexão do poder do sangue de Jesus, que pode purificar os corações mais contaminados desse mundo. Entre e a lama e o sangue, o que fica explícito é a corrupção e egoísmo do ser humano. Entre a lama e o sangue que escorre fica a reflexão da responsabilidade cristã de contribuir para a obra missionária, seja em Mariana seja em Paris. Entre a notícia da lama que escorre e o sangue que escorre fica o silêncio da reflexão. Entre a lama e o sangue emerge o desejo de orar. Oremos!
Jeferson Rodolfo Cristianini