Geral

Crise aumenta demanda no Bom Prato em Bauru

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

João Rosan
Floriano Pesaro afirma que a procura do Bom Prato chega a ser maior que a oferta: “É reflexo do desemprego e da inflação”

O restaurante popular Bom Prato de Bauru oferece 1.200 almoços diários, com custo de R$ 1,00. O consumo, entretanto, teve um aumento de 15% de janeiro a outubro deste ano, em relação ao mesmo período de 2014, informou o secretário estadual de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, que esteve nessa quarta-feira (18) na cidade para anunciar um repasse de subsídio do governo às unidades (leia mais abaixo).  

De acordo com Pesaro, o número limite de refeições servidas no estabelecimento está sendo atingido todos os dias. Algumas vezes, inclusive, a demanda acaba sendo maior do que a oferta. “Antes não era assim. Raramente atingíamos o limite de pratos”, pontua o secretário. “Essa realidade se estende a todas entidades gestoras do programa no Estado”, acrescenta.

O secretário explica que o acréscimo é reflexo do desemprego e da inflação, fatores que também são responsáveis por outra disparada: a procura por serviços sociais, que, no geral, subiu 25% em 2015 (de janeiro a outubro), em comparação ao mesmo período do ano anterior. “É o maior aumento da história recente do Brasil. Isso significa que a pessoa que tinha saído de uma situação de pobreza está voltando rapidamente ao patamar que havia deixado”.

Entre os programas assistenciais da pasta que mais consomem recursos do Estado, o Bom Prato aparece em segundo lugar, atrás somente do Programa Viva Leite. Para atender o aumento da demanda, contudo, o governo estadual promete reforçar as equipes e, principalmente, os recursos na área da assistência social. “O orçamento destinado ao serviços sociais, saúde, e educação será dobrado (hoje é de R$ 800 bilhões)”, garantiu Pesaro.

Combate à pobreza

Para tanto, a Secretaria de Desenvolvimento Social conta com o Fundo de Combate à Pobreza, criado pelo governador Geraldo Alckmin. O projeto de lei já foi enviado à Assembleia Legislativa e deve ser instituído em 2016, com intuito de “diminuir a desigualdade no Estado e estimular a economia”, conforme aponta Pesaro. “Os recursos serão aplicados em programas de nutrição, habitação, educação e saúde, incluindo ações voltadas à criança e ao adolescente e à agricultura familiar”, diz.

Para compensar a perda de receita e abastecer o Fundo, as alíquotas de ICMS sobre cerveja e fumo serão elevadas, respectivamente, de 18% para 23% e de 25% para 30%, também a partir do próximo ano. “Hoje, São Paulo é um dos únicos Estados que tributam a cerveja com alíquota menor do que 25%”, justifica o secretário. Estimativas da Secretaria da Fazenda apontam que a medida abastecerá o Fundo com R$ 1 bilhão ao longo de um ano.

Violência doméstica

De acordo com o secretário estadual de Desenvolvimento Social, entre as demandas que apresentaram aumento neste ano - como a procura por cestas básicas em unidades do Centro de Referência da Assistência Social (Cras) -, a que mais preocupa está relacionada aos serviços decorrentes de violência doméstica. Ele atribui a situação à perda de emprego.  

“Em meio à crise, uma coisa puxa a outra. Há quem fique abalado psicologicamente e comece a ingerir bebidas alcóolicas em busca de alternativas.  Isso tudo reflete dentro de casa, em brigas que desestruturam a família. Temos como consequência, por exemplo, um acréscimo de encaminhamentos de crianças ao Conselho Tutelar”, observa.

Preço mantido

Secretário estadual de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro esteve em Bauru nessa quarta-feira (18) para anunciar um aumento de subsídio com repasse às entidades gestoras do programa Bom Prato e, com isso, a manutenção do preço final ao consumidor. O restaurante popular, que fica na quadra 9 da rua Primeiro de Agosto, Centro,  completou dois anos no último dia 12. 

No almoço, segundo Pesaro, a pasta acrescentou cerca de 10 % de subsídios para adultos e 7,5% para crianças. Respectivamente, o investimento passa de R$ 3,50 para R$ 3,81 aos adultos como também de R$ 4,50 para R$ 4,81 às crianças - que já não pagam para comer no Bom Prato.

“Já no café da manhã, o aumento foi da ordem de quase 18% e as entidades que estavam recebendo R$ 1,30 passam a receber R$ 1,53 para oferecer refeições matinais. O repasse significará um investimento anual adicional de R$ 7,8 milhões e evitará um aumento do preço final ao consumidor”, explica.

Atualmente, o Bom Prato possui convênio com 41 entidades que gerenciam o funcionamento dos serviços sob supervisão da Secretária de Estado de Desenvolvimento Social (Seds). Ao todo, são 50 restaurantes populares, sendo 28 no Interior e 22 na Capital.

Nessa quarta, o secretário participou também do Encontro Regional de Prestação de Contas com 138 cidades da região. O evento aconteceu no auditório da Instituição Toledo de Ensino (ITE).

Comentários

Comentários