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Escola Ayrton Busch também é ocupada

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis
Unidade está fechada; cartazes e faixas foram pendurados pelos estudantes na frente do prédio

Um grupo de estudantes ocupou a escola estadual Professor Ayrton Busch, no Parque Jaraguá, em Bauru, por volta das 15h30 de ontem.  Com cartazes e faixas pendurados na frente da unidade, eles protestam contra a reorganização anunciada pelo governo do Estado de São Paulo.

Eles ocuparam o prédio durante o encerramento das atividades do programa Escola da Família e fecharam a unidade. Um boletim de ocorrência não criminal foi registrado na Polícia Civil por um funcionário, que estava no local e teve que sair a pedido dos alunos. Não houve tumulto. No registro, o funcionário indica que cerca de 35 estudantes ocuparam a escola. Uma aluna que se identificou com porta-voz disse ao JC que 100 estudantes, dos 7.º e 8.º anos do ensino fundamental e dos 1.º ao 3.º do ensino médio, não têm previsão de quando desocuparão o prédio.

A manifestação seguia pacífica até o início da noite de ontem. A entrada da reportagem no local não foi permitida. Todos os portões que ligam a escola à rua ganharam novos cadeados, que possuem 36 cópias de chaves e estão em poder dos estudantes.

“Vamos ficar aqui até que o Estado sente e nos ouça. Não queremos a reorganização. Aqui é nossa casa, agora”, comenta a aluna porta-voz do 1.º colegial, Manoela Fernanda Miliano Alves, 16 anos.

Descontentamento
O projeto de reorganização prevê que a escola Ayrton Busch deixe de atender o ensino médio, repassando os estudantes do 1.º ao 3.º ano para a escola Estadual Alto Jaraguá, que fica a três quadras.

Manoela conta que os estudantes já planejavam ocupar a unidade e que a ação ganhou força após a tomada da escola Stela Machado, no início da semana passada.

“Criamos a nossa identidade nessa escola, não é justo separarem os colegiais, mesmo que a outra escola seja perto. Somos adolescentes, mas temos direito de voz”, protesta a jovem. “A Ayrton Busch é uma boa escola. Não temos aula vaga e os coordenadores conhecem a maioria dos alunos desde pequenos. Não queremos ir para uma unidade onde seremos desconhecidos”, acrescenta.


A ocupação
Ainda de acordo com a estudante, o grupo se instalou no pátio do clico 1. “Colocamos colhões lá. Estamos usando só os dois banheiros desse pátio e a cozinha que tem lá, para facilitar a organização e limpeza”, diz a estudante. A alimentação é realizada por meio de mantimentos que os próprios estudantes trouxeram de casa. Para o banho, eles se revezam. “Fazemos um esquema: sai um aluno e entram dois”, detalha.

Ela afirma ainda que salas como a do refeitório e da secretária e direção estão trancadas.

O grupo diz ainda que o movimento tem apoio de 90% dos professores da unidade. “Mas que fique claro que esse é um movimento formado por nós, os alunos”, fecha questão. O movimento também tem apoio de alunos do curso de psicologia da Unesp de Bauru, que estiveram do lado de fora da escola apoiando a ação.

‘Sem sentido’
Questionada sobre a ocupação da unidade pela reportagem no início da noite, a dirigente da Diretoria Regional de Ensino (DRE), Gina Sanchez, informou que desconhecia a ocupação e disse que uma equipe escolar irá conversar com os alunos, após as 9h de hoje para tentar a desocupação.

“Recebo essa notícia com estranhamento porque no início de outubro, antes de levar a proposta para a secretaria, nós conversamos com alunos e professores de lá. E ficou acertado que a mudança seria gradativa para cada ano, ou seja, só terminaríamos a mudança dos colegiais em 2018”, informa a dirigente. “Essa atitude ratifica nosso entendimento de que há outros interesses ou até questões partidárias envolvidas nessas manifestações. Essa é uma política pública que não tem nenhuma sinalização de não acontecer. O mesmo deve ocorrer com a escola Luiz Castanho”, completa Gina.


 

Divulgação
Alunos tomam rua em frente à escola Stela Machado com Maracatu

Stela Machado

Desde a última terça-feira (17), cerca de 140 alunos da Escola Estadual Stela Machado estão acampados na sede da instituição, localizada na Vila Pacífico. A medida acompanha uma série de manifestações e ocupações de escolas realizadas em todo o Estado mais de um mês após o anúncio da reorganização escolar na rede estadual de ensino, que fechará algumas unidades no Estado.

Neste final de semana, a Stela Machado recebeu uma série de atividades culturais. Por lá, os alunos comentavam que uma escola estadual em Jaú também havia sido ocupada neste domingo.

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