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Bombas, atentados e false flag

Pedro Vinicius Rossi
| Tempo de leitura: 3 min

Na Síria, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, estima-se que quase 4 mil pessoas (aprox. 3.952) tenham perdido suas vidas nos últimos 14 meses de ataques da coalizão liderada pelos EUA, e pelos bombardeios russos em território Sírio. Estima-se ainda que pelo menos 97 destes eram menores/infantes, outros 69 eram mulheres, de um total de 403 civis. Números difíceis, e continuamente atualizáveis e discrepantes. Raramente apresentados pela mídia, mas existem.


Em Paris, na república francesa, em uma fatídica sexta-feira de novembro, morreram 129 pessoas e outras 350 ficaram feridas. Toda uma parte do globo se ressentiu com o drama europeu. E não poderia ser de outra forma quando vidas são ceifadas de uma forma tão estúpida. O primeiro abalo foi um choque, terrível. Os tremores secundários sacudiram as mídias e as investigações que se seguiram. Tudo acompanhado com grande paixão, e uma pitada de válida desconfiança.


Desconfiança. As informações que se seguiram pós-atentado reverberaram em verdades, denúncias, e outras formas absolutas de um n número de elementos, que surgiram como velhas novidades bem conhecidas do público e das massas. A velocidade das informações, o grandioso número de dados, as relações intercruzadas entre indivíduos, passaportes e suspeitos. Tudo exposto numa velocidade certeira que fazem das teorias conspiratórias versões mais verídicas às oficialmente divulgadas.


Daquelas melhores – ou piores – teorias paralelas, a false flag (bandeira falsa) é uma operação realizada por governos, entidades, ou indivíduos que visa enganar, dissuadir ou promover um inimigo que na realidade não existe como ameaça objetiva e/ou direta. Essa tática vem sendo utilizada, e reconhecidamente empregada, em táticas políticas que visão encontrar justificativas ou motivações para ações militares (la guerre).


Foi uma técnica utilizada pelo Japão para justificar a anexação da Manchúria (1931); pelos ataques terroristas realizados pelo próprio governo italiano, contra seus próprios cidadãos, no intento de criminalizar o partido comunista, no período da guerra fria; pelo presidente colombiano Juan Manuel Calderón que, na ideia de promover o sucesso do combate à guerrilha, assassinou civis inocentes travestindo-os de soldados guerrilheiros. Para um exemplo mais próximo, tivemos o frustrado atentado do Riocentro, em 1981, onde militares que responsabilizariam radicais de esquerda pelo ataque a bomba acabaram lidando com a explosão antecipada do artefato.


Em uma questão de horas foi possível identificar a nacionalidade dos terroristas do nominado Estado Islâmico (EI): sírios. Um passaporte, em ótimo estado, que não se destruiu ou queimou na explosão, encontrado por uma jornalista brasileira, entregou o nome e a origem dos malfeitores. É na Síria, ex-colônia francesa, origem da crescente onda de refugiados que chegam diariamente a França e a Europa, portal para o oriente e reduto dos maiores embates que ocorrem contra EI.


O intento dessas tais teorias, surgidas paralelamente as informações oficiais, não é descartar ou diminuir o terrível feito dos atentados daquela sexta-feira. O intento dessas tais teorias é descaracterizar as indubitáveis certezas a-históricas e descontextualizadas, aquelas obvias evidencias que surgem como um relâmpago sob a sombra de algo tenebroso; que fomentam a morte de mais e mais inocentes – em sua maioria, sírios. Tristezas sem conta.


O autor é sociólogo, mestrando do curso de Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina/PR

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