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Da ITE à conferência global sobre o clima

Tamiris Volcean, Especial para o JC
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação
Luizio Felipe Rocha embarcou segunda para a França e promete retornar com resultados positivos

Luizio Felipe Rocha tem apenas 19 anos e já está em Paris para representar a juventude brasileira na COY11 (Conferência da Juventude sobre Mudanças Climáticas), desta quinta-feira (26) até sábado, e na COP21 (Conferência das Partes das Nações Unidas para Mudanças Climáticas), no período de 30 de novembro a 11 de dezembro. O voluntário da ONG Engajamundo, criada em 2012, faz parte de uma delegação de 20 jovens de todo o território brasileiro e pretende garantir a participação da juventude do País nos diálogos internacionais.

A COY11 é o maior encontro internacional de jovens engajados nas questões climáticas. A COY acontece alguns dias antes da conferência oficial, a COP21, que tem como principal objetivo formular um novo acordo entre os países para diminuir a emissão de gases de efeito estufa, limitando o aumento da temperatura global. A Conferência da Juventude é uma oportunidade para a imersão e capacitação de seus participantes, a fim de prepará-los para as discussões e tomadas de importantes decisões que ocorrem na COP.  

Para Luizio, que é natural de Pederneiras e estuda direito na ITE, essa é uma oportunidade única de empoderamento dos jovens brasileiros. Incluir a delegação no diálogo é importante para ampliar a participação social nos foros internacionais. “O Brasil tem um papel de muita liderança em nível internacional, mas podemos fazer mais e incentivar outros países. Somos, ao meu ver, mediadores e, se formos ambiciosos o suficiente, podemos mudar completamente o rumo do acordo e garantir um resultado muito melhor que o esperado”, diz o jovem.

A proposta global formulada pelos jovens do Engajamundo consiste na união das Nações a fim de garantir que haja aumento de “apenas” 1,5 grau na temperatura da Terra até 2050. Foram realizadas reuniões com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, para que esta meta fosse estipulada e apresentada na COY11 e na COP21.  Luizio reconhece que a proposta é ousada, mas a considera “totalmente factível, desde que haja esforços de todas as partes”.

DESDE CEDO...

A trajetória de Luizio para alcançar este objetivo e levar a voz do Interior do Estado de São Paulo para uma conferência internacional começa em 2010, quando desenvolveu interesse por projetos ambientais da ONU. Com 14 anos, criou coragem e oficializou um projeto de sua autoria. Contou com o apoio da família e conseguiu ser aceito no programa Jovens Delegados, que prioriza a participação do jovem na tomada de decisões nacionais, promovido pela ONU Jr.. Durante quatro anos, foi colaborador eventual do governo federal e discutiu assuntos climáticos e ambientais do País junto aos ministérios responsáveis.

Sempre envolvido com contatos políticos, participou dos Seminários de Política Nacional de Juventude, realizados em Brasília em parceria com a Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República (SNJ), do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) e do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Neste evento, conheceu o Engajamundo e foi convidado a integrar o quadro de jovens da organização.

Após uma gestão de quatro anos junto ao governo federal, mudou sua rotina e tornou-se voluntário no início de 2015. Com muitas horas de treinamento e capacitação, o estudante de direito participou de um processo seletivo interno, que resultou em sua viagem à Capital Francesa.

Viajar para Paris bem agora?

Diante dos últimos acontecimentos, é natural que aflore o receio de visitar Paris. No dia 13 de novembro, a cidade francesa foi palco de uma série de ataques, coordenados por grupos militantes do Estado Islâmico. O atentado mais grave ocorreu na casa de espetáculos Bataclan, onde cerca de 1.500 pessoas assistiam a um show de rock.

“Acreditamos que é um momento propício para a juventude se fortalecer, não podemos deixar que o terror assuste essa geração ambiciosa e que sempre quer mais. É nesse momento que a gente vê que nossos medos e receios são pequenos diante dos problemas do mundo.”, sempre direcionando sua fala ao objetivo final, Luizio continua:

“Vamos tentar ao máximo possível fazer um ótimo trabalho lá. Não podemos pensar só no terrorismo, também temos que pensar nas mudanças climáticas, que é o verdadeiro foco desse encontro da ONU”.

Tragédia em MG

O Brasil também vivenciou uma grande tragédia com o rompimento das barragens em Mariana (MG). De acordo com o Ibama, a quantidade de lama despejada é suficiente para encher 20 mil piscinas olímpicas.

O estudante diz que a delegação não pretende discutir assuntos nacionais nas conferências, uma vez que as pautas devem ser escolhidas a partir de uma perspectiva global.

Para debater assuntos relacionados ao Brasil e seus projetos ambientais e climáticos, o Engajamundo possui uma agenda exclusivamente nacional. A última reunião entre a instituição e ministérios aconteceu em setembro de 2015.

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