Articulistas

Sem medo da morte

Archimedes Azevedo Raia Jr.
| Tempo de leitura: 2 min

Amotocicleta tem sido alternativa para quem tem a necessidade de se locomover com muita pressa, deixando para trás os congestionamentos. Motos são adquiridas e mantidas com baixo custo, comparado com os automóveis. A moto se tornou muito popular no Brasil. No país, a frota de motocicletas tem se elevado rapidamente. Em 2001, a frota nacional de motos registrava 4,6 milhões de unidades; em 2015, são 24 milhões. Em Bauru esse crescimento também é significativo. A sua frota total de motos, em 2001, que era de 15,5 mil unidades, chegou a 54 mil, em 2015.

Segundo dados do Ministério da Saúde, de 1996 a 2013 morreram em acidentes de trânsito, em Bauru, 1.027 pessoas. Destas, 137 foram motociclistas (13,3%). Os pedestres mortos no trânsito, neste mesmo período, foram 256 (25%). Nestes dias de novembro de 2015, pôde-se acompanhar pelas páginas do JC que, apesar de todo o desenvolvimento tecnológico, de comunicação, de tecnologia embarcada nos veículos etc., as mortes no trânsito, principalmente de motociclistas, são preocupantes.

Nos últimos dias morreram 4 jovens com idades entre 20 a 34 anos na cidade. Conforme dados da Emdurb, neste ano, 20 pessoas já perderam tragicamente a vida no trânsito urbano bauruense, dos quais 11 motociclistas (55%). Em 2014, 34 pessoas foram a óbito no trânsito urbano, 20 eram motociclistas (60,6%). É um triste panorama, sem a possibilidade de se vislumbrar, ao fim do túnel, qualquer luz.

Com relação às mortes no trânsito, como a sociedade brasileira e bauruense tem se comportado? Constata-se que as mais de 40 mil mortes, anualmente, no trânsito brasileiro não chocam a mais ninguém. Os motoristas continuam a beber e dirigir; os motociclistas conduzem seus ágeis veículos com velocidades incompatíveis e costuram o tempo todo por entre as filas de veículos. Os pedestres caminham e atravessam as ruas plugados ao celular, totalmente alienados aos perigos do ambiente urbano. Tem-se a impressão que ninguém mesmo se preocupa com as mortes no trânsito. É uma tétrica constatação! Parece não ter medo da morte. Nem de tirar, nem de perder. É triste demais! O coração do ser humano se petrifica e não se escandaliza mais com nada! Falta Deus no coração das pessoas!

 

O autor é engenheiro, doutor em Engenharia de Transportes e especialista em trânsito, professor da UFSCar. Coautor dos livros Segurança de Trânsito e Segurança Viária e diretor de Mobilidade da Assenag-Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru-SP

 

Comentários

Comentários