| Quioshi Goto |
![]() |
| Em Piratininga, os 85 policiais que participaram da iniciativa foram divididos em duas turmas: uma trabalhou com munições químicas e outra com estratégias, principalmente, em situações de risco, tais como explosões de caixas eletrônicos e roubos a residências |
Olhos ardentes e grande desorientação. Essa era a sensação de qualquer um que esteve dentro do Recinto de Exposição de Piratininga (13 quilômetros de Bauru), ontem à tarde, durante um treinamento de três batalhões da Polícia Militar (PM), que envolvem as cidades de Bauru, Jaú, Lins, Pederneiras, Lençóis Paulista e Agudos. Os policiais utilizaram diversos tipos de munições, entre eles, as granadas com gás lacrimogêneo.
Coordenador operacional interino do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), o capitão Paulo César Valentim informa que os treinamentos ocorrem quinzenalmente em caráter local, ou seja, cada batalhão promove uma capacitação. Contudo, a cada três meses, três batalhões se reúnem com o mesmo objetivo: treinar os policiais. São as corporações de Bauru, Jaú e Lins, que também envolvem as cidades de Pederneiras, Lençóis Paulista e Agudos.
Além disso, a cada seis meses, há outro treinamento, desta vez, para a capacitação de policiais dos seis batalhões pertencentes ao Comando de Policiamento do Interior 4 (CPI-4), que estão sediados em Bauru, Jaú, Lins, Assis, Ourinhos e Marília. “O treinamento de hoje (ontem) é trimestral e nós o dividimos em duas partes: de manhã, houve uma operação policial e, à tarde, a capacitação propriamente dita”, acrescenta o capitão Valentim.
Duas turmas
Em Piratininga, os 85 policiais que participaram da iniciativa foram divididos em duas turmas. Uma delas realizou técnicas utilizadas para dispersar multidões durante o cumprimento de mandados de reintegração de posse e manifestações. Nessa fase, foram utilizadas bombas de efeito moral, granadas com gás lacrimogêneo, balas de borracha, além de espingardas True Flite, que permitem o lançamento de munições químicas em maior altura e distância.
Já a segunda turma trabalhou a conduta em patrulhamentos, principalmente, em situações de risco, tais como explosões de caixas eletrônicos e roubos a residências. Armários antigos serviram de obstáculos para o treinamento dos policiais. “Eles aprendem técnicas de deslocamento e determinam quem vai na frente, no meio e na retaguarda”, argumenta o coordenador operacional do 4.º BPM-I.
Nas ruas
Em relação ao período da manhã, os policiais realizaram fiscalizações em Bauru, Agudos, Lençóis Paulista e Pederneiras. Em Bauru, um adolescente de 16 anos foi flagrado com 40 invólucros de algo semelhante à maconha, além de R$ 216,00 em espécie, na rua 1 da favela São Manoel. Ele foi encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ).
Já em Agudos (13 quilômetros de Bauru), os policiais encontraram 55 pássaros silvestres, 500 gramas de uma substância semelhante à maconha e um simulacro de pistola nas casas de dois homens, que foram qualificados, mas fugiram assim que avistaram a PM. O caso foi encaminhado para a delegacia de Agudos.
O veterano
O cabo André Luiz de Siqueira, 49 anos, é policial militar da Força Tática desde o dia 1 de outubro de 1986, conforme relembra sem qualquer hesitação. Ele já participou de diversas ocorrências para as quais recebe treinamento semelhante ao de ontem, entre elas, as rebeliões dos presídios em 2006 e as manifestações de 2013, quando a população saiu às ruas para protestar contra o cenário político brasileiro.
Contudo, foi em 1994 que Siqueira perdeu sua “batalha” mais dolorida. Adriano de Siqueira, irmão gêmeo do cabo e que entrou na PM quase na mesma época que ele, morreu. Inicialmente, os dois eram confundidos pelos colegas de trabalho. “Houve uma manifestação em uma rodovia de Bauru e, quando a PM conseguiu dispersar os participantes, um motorista embriagado o atropelou. Um policial rodoviário também perdeu a vida após o acidente”, pontua.
O 'estagiário'
Já o soldado Rergis Gonçalves, 32 anos, está na Força Tática da PM há cinco e é considerado um “estagiário”. Tanto que ele não participou do treinamento, apenas observava com aquela ânsia de estar em meio ao grupo. “Eu tenho parentes que são policiais e passei a admirar a profissão”, acrescenta.
Embora ainda seja um estagiário em Bauru, o policial já passou por situações de risco, mas não de “mentirinha”. Era na época das manifestações de 2013, porém, na região de Guarulhos, na Grande São Paulo. “Minha vontade é de participar do treinamento, porque faz a diferença nas ruas”, opina.
