Sendo católico, acompanho as leituras diárias do livro Deus Conosco e no dia 24pp, duas delas chamaram a minha atenção. Primeira leitura: Daniel 2, 32-33 - “A cabeça da estátua era de ouro fino, peito e braços eram de prata, ventre e coxas, de bronze, sendo as pernas de ferro, e os pés, parte de ferro e parte de barro.” Evangelho: Lucas 21, 10-11: “E Jesus continuou: Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país. Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos nos céus.” Refletindo o momento que passamos, quer no Brasil, quer no mundo, vemos grandes líderes políticos se comportarem como o anunciado pelo profeta Daniel, onde estátuas são sustentadas com base de pés de barro, ou seja, vulneráveis (operação Lava Jato, repleta de exemplos e, agora, até o Polícia Federal, um japonês presente em várias prisões, suspeito de vazar informações sigilosas).
Esses mesmos líderes nacionais e internacionais, para mim, encaixam-se nas palavras do Evangelho, pois são povos se levantando contra povos (grupos de islamismo extremo, aterrorizando países europeus e americanos, com degolas, bombas e mísseis antiaéreos, fuzilando inocentes, guerras entre traficantes, utilizando-se de propinas etc). Até o Brasil sendo atingido atualmente por terremotos e furacões, tsunamis pelo mundo, vulcões em erupção, ou pré-erupção como atualmente em Quito (Equador), mar de lama escoando entre cidades, rios e mar levando à fome esses moradores que dependiam da pesca, e onde esse ser que chamamos de inteligente, explora os irmãos necessitados da essencial água.
Pestes como as diversas enfermidades e sequelas causadas pela infestação do Aedes aegypti; pelo consumo das drogas (países latino-americanos cultivadores e exportadores mundiais dessas drogas e seus derivados, que devastam famílias pelo mundo inteiro). Coisas pavorosas como as mudanças climáticas e suas consequências para a humanidade, as barbáries cometidas em nome de poder, a desesperança dos jovens quanto aos seus futuros, onde as facilidades eletrônicas entorpecem a busca de conhecimento e metas de vida, os assassinatos em todas as cidades, por motivos que ultrapassam nossa capacidade de minimamente assimilá-los, pelo desemprego assustador que está afligindo as famílias brasileiras, e também mundiais que até se lançam desesperadamente em barcos e mares bravios, exploradas e sob péssimas condições de viagens, para obterem alguma esperança de vida digna para si e seus familiares, familiares que essas guerras separam para talvez nunca mais se encontrarem, tudo exercido pelas estátuas de pés de barro que atualmente ocupam os poderes. Nas missas, os sacerdotes procuram apascentar dizendo que estas visões apocalípticas são apenas pedagógicas, preparando para o início do período do Advento.
Fica difícil, frente a tantos fatos negativos atuais, não se confrontar com as escrituras sagradas. O homem está caminhando para a sua destruição, bastando olhar para a poluição e as consequências que sua intervenção ambiental ocasiona, pelo desenvolvimento sofisticado de armamentos, pela “criatividade” dos narcotraficantes que desgraçam tantos jovens, pela relativização da educação e conceitos morais, pela intolerância entre os seres humanos, pela impunidade crescente, pela orquestração em tornar os seres humanos dependentes dos programadores de informática, pois não há estímulos gerados pela própria cabeça, tornando-os reféns dos aplicativos inseridos em suas máquinas, cargas de impostos estratosféricas, são impingidas e não se recebe o devido retorno pelo desvio escabroso das propinas, onde políticos mal-intencionados, pregam moralidade durante suas campanhas e depois se comportam com narcisismo. Não basta apenas rezar para que Deus resolva todas essas mazelas (sinais vistos do céu), há necessidade extrema dos homens de bem se posicionarem e reaverem as rédeas dessa carruagem que está desgovernada e andando numa velocidade suicida. Iniciai-se o Ano da Misericórdia pela igreja católica. Haja misericórdia!
O autor é professor FOB USP, 2º secretário do Lions Clube Centro de Bauru, a caminho
dos 60 anos de fundação na cidade de Bauru