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Estudantes desocupam duas escolas em Bauru

Thiago Navarro e Marcus Libório
| Tempo de leitura: 4 min

Alex Mita
Após 14 dias de ocupação, alunos deixaram a escola Antônio Ferreira de Menezes, no Alto Alegre

Duas escolas estaduais de Bauru foram desocupadas nessa quinta-feira (10) pela manhã e já têm definição de reinício das aulas. A Escola Estadual (EE) Stela Machado, na Vila Pacífico, foi a primeira a ser ocupada por estudantes na cidade, no dia 17 de novembro, e foi também a primeira a ser liberada, no início da manhã dessa quinta. Pouco depois, foi a vez dos alunos da EE Antônio Ferreira de Menezes, no Alto Alegre, deixarem a unidade.

O retorno das aulas na Stela Machado está agendado para a próxima segunda-feira (14) em todos os turnos (manhã, tarde e noite), uma vez que, entre esta quinta (10) e sexta-feira (12), os funcionários da unidade dão manutenção e limpam a cozinha, que não estava em condições de uso após a saída dos alunos. O JC tentou contato com estudantes que ocuparam a Stela Machado, mas não obteve retorno. A direção da escola, inclusive, registrou um boletim de ocorrência por danos na unidade e em equipamentos.

A outra escola liberada nessa quinta, por volta das 9h, foi a EE Antônio Ferreira de Menezes, que estava ocupada desde o dia 26 de novembro. Nesta unidade, a volta das aulas será nesta sexta-feira (11) pela manhã.

A EE Ayrton Busch, no Parque Jaraguá, segue ocupada (desde 22 de novembro), mas existe a possibilidade da saída dos alunos ocorrer nesta sexta. Já na EE Luiz Castanho de Almeida, na Vila Falcão, não há previsão de quando pode haver a desocupação do prédio – o ato teve início no dia 24 de novembro.

As ocupações são uma reação ao decreto do governador Geraldo Alckmin anunciando a reorganização escolar, em novembro, que causaria o fechamento de 94 escolas e a transferência de milhares de alunos. Na última sexta (4), um decreto publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo suspendeu a reorganização.

Reposição

Nas duas escolas liberadas nessa quinta (10), o calendário de reposição vai avançar até o mês de janeiro. O ano letivo normal acabaria na próxima semana, mas os alunos terão aula nos dias 21, 22 e 23 e também 28, 29 e 30 deste mês. No caso da Escola Ferreira de Menezes, a reposição deve seguir até o final da primeira semana de janeiro (foram 12 dias letivos perdidos) e na Stela Machado a reposição seguirá até o final da primeira quinzena de janeiro (foram 19 dias letivos perdidos).

A dirigente regional de ensino, Gina Sanchez, cita que a reposição vai depender do tempo que cada escola ficou sem aula. “Na Stela Machado foi mais tempo, então vai avançar mais no mês que vem. Lá, as aulas só vão voltar na segunda porque não havia condições de usar a cozinha, mas, no Ferreira de Menezes, a situação está tranquila e as aulas já podem voltar nesta sexta”, pondera.

Ela salienta que as reposições não vão afetar o próximo ano, uma vez que o ano letivo de 2016 terá início em fevereiro. “Nas duas escolas que já foram desocupadas, até janeiro concluímos o ano letivo de 2015. Só que apenas quando terminarem as aulas é que podemos emitir certificados, históricos escolares e outros documentos. Já nas outras duas escolas, que ainda estão ocupadas, se forem liberadas amanhã (sexta-11), podem ter as aulas retomadas já na segunda-feira”, adianta.

No caso da Escola Luiz Castanho, diretores e professores foram até o local nessa quinta e conversaram com os alunos. “Na verdade, a gente não sabe exatamente quais as demandas específicas deles”, pontua Gina Sanchez.

Ao todo, 3.700 alunos ficaram sem aula com as ocupações em Bauru. Agora, 700 deles que estudam no Antônio Ferreira de Menezes e 1.300 na Stela Machado terão mais um mês de aulas para concluírem o ano letivo, enquanto os 1.200 alunos do Ayrton Busch e 500 do Luiz Castanho aguardam o desfecho do movimento em suas escolas.

Satisfatório

Na EE Antônio Ferreira de Menezes, que terá o retorno das aulas nesta sexta (11), o aluno Vinícius Thomaz, do terceiro ano do ensino médio e que participou da ocupação, considerou positivo o movimento. “Não conseguimos o cancelamento definitivo da reorganização, mas sim a suspensão, o que já foi uma vitória. Isso mostrou que era possível enfrentar o governador. Estreitamos relações com outras escolas e, agora, é importante continuar a mobilização, porque envolve todo um setor, que é a educação, tanto alunos como professores, gestores e funcionários”, frisa.

‘Sentimento de vitória’

Matheus Augusto Alves Dias, 17 anos, estudante do 3.º ano do ensino médio da Antônio Ferreira de Menezes, foi um dos manifestantes que participaram das ocupações e deixaram a unidade nessa quinta.

Jornal da Cidade - Você deixa a escola com sentimento de vitória?
Matheus – Com certeza. Sentimento de missão cumprida, pois o governador adiou a reorganização e isso já uma grande conquista.

JC – Então o protesto valeu a pena? A luta continua agora?
Matheus – Valeu muito a pena. Sem dúvida, vamos manter nossas reivindicações até que a reorganização seja derrubada. Com certeza, não iremos desanimar.

JC – Quantos alunos saíram da escola e como vocês deixaram a instituição?
Matheus – Tinha cerca de 70 alunos na ocupação. Deixamos a escola mais organizada do que antes, quando entramos. A situação estava precária. Tinha arroz de uma semana na geladeira. Chão cheio de gordura, encardido.

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