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| Em assembleia, trabalhadores rejeitaram oferta da Famesp, que não prevê reajustes de benefícios |
Após meses de negociação, os funcionários das cinco unidades de saúde gerenciadas pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) recusaram a última proposta trabalhista feita pela entidade e decidiram decretar estado de greve. Segundo o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde de Bauru (Seessb), nos próximos dias, será divulgado um calendário de mobilização, que poderá estabelecer paralisações esporádicas.
O movimento pode afetar o atendimento nos hospitais Estadual, de Base e Manoel de Abreu, além da Maternidade Santa Isabel e Ambulatório Médico de Especialidades (AME). A Famesp, contudo, afirma que ainda não é possível dimensionar a amplitude da mobilização, já que participaram da assembleia que deliberou pela decretação do estado de greve apenas cerca de 50 dos quase 2,5 mil funcionários.
O Seessb, entretanto, defende que a resolução da assembleia, realizada na quinta-feira no auditório do Hospital Estadual, é soberana. “Venceu a vontade do trabalhador e a decisão será acatada”, garante a presidente do sindicato, Vera Lúcia Salvadio Pimentel.
A entidade também informou que, assim que comunicar o Ministério do Trabalho na próxima segunda-feira, irá ingressar com ação de dissídio coletivo e que os funcionários permanecerão em estado de greve até o julgamento no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
Proposta
Na última tentativa de negociação, em 9 de dezembro, a Famesp concordou em garantir três (e não apenas duas) folgas noturnas mensais aos funcionários, além dos 45% de adicional noturno e o quinquênio dos funcionários como já constava no acordo coletivo de 2014. A restrição a duas folgas, exigidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), passaria a valer apenas aos novos funcionários contratados.
A entidade assegurou, ainda, aumento salarial de 8,42% retroativo a abril, mas benefícios sem reajuste, como o vale-alimentação de R$ 330,00 e auxílio-creche de R$ 180,00. Os valores, contudo, são mais elevados do que os previstos na convenção coletiva assinada inicialmente pelo Seessb, sem consultar a categoria, junto ao Sindicato das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo (Sindhosfil), entidade a qual a Famesp é filiada.
Pela convenção, que tem âmbito estadual, o vale-alimentação é de R$ 125,00 e o auxílio-creche, de R$ 170,00. Os funcionários, no entanto, exigem reajuste também nas cláusulas econômicas.
Sem avanço
Segundo a Famesp, somente a concordância em manter as três folgas noturnas e o reajuste já representam um significativo impacto financeiro, que não poderia ser ampliado, sob risco de comprometer a qualidade do serviço. “É impossível oferecer além de tudo o que já oferecemos. Diante do cenário econômico, não há como avançar mais”, pontua o presidente da fundação, Antônio Rugolo Júnior.
De acordo com ele, a proposta feita no dia 9 atendia às reivindicações iniciais dos trabalhadores e já havia, inclusive, sido aprovada informalmente pela liderança sindical durante a reunião. Por este motivo, em sua análise, a decisão pela decretação do estado de greve está mais relacionada a brigas políticas internas do sindicato.
