“Apertem os cintos, o WhatsApp sumiu”! Essa foi uma das centenas de piadas que estamparam as timelines das redes sociais, nessa quinta-feira (17), logo após cumprimento de determinação judicial que bloqueou o aplicativo por 48 horas em todo o Brasil. No entanto, uma liminar derrubou a decisão e o serviço voltou ao normal após 13 horas inoperante.
| Reprodução Internet |
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| A “abstinência” de Whats, mesmo que por algumas horas, deixou os usuários de “mãos atadas” (ou melhor, “de dedos atados” |
A manhã dessa quinta, sem dúvida, foi um dia atípico para muita gente. A “abstinência” de Whats, mesmo que por algumas horas, deixou os usuários de “mãos atadas” (ou melhor, “de dedos atados”), desde os que utilizam a ferramenta apenas para ‘conversar’ com amigos e familiares até aqueles que precisam do utilitário no meio profissional. Estes tiveram transtornos e prejuízos.
A alternativa para não ficar incomunicável foi usar outros meios de troca de mensagens instantâneas como o Messenger do Facebook, Skype, Telegram (leia mais abaixo) e Viber. Alguns usuários disseram ter conseguido burlar o bloqueio usando aplicativos VPN – que enganam o servidor e mostram seu acesso como vindo de outro País. Especialista, porém, não recomenda tal estratégia.
Manhã incomum
Uma prática comum entre muita gente: acordar de manhã e já abrir o WhatsApp. Incomum é quando o aplicativo não conecta. “Desliguei o Wi-Fi, liguei de novo e nada”, contou o estudante Caio Vinicius Gomes, 17 anos. “Fui dormir ontem (na última quarta-16) e estava tudo normal. Fui pego de surpresa”, disse.
Avisado por um amigo sobre o bloqueio, Caio encontrou no Facebook o “remédio para curar a sua abstinência”. “Para mim, não tem problema. A gente arruma outro jeito de se comunicar. Já quem precisa do aplicativo para trabalhar deve estar sendo muito prejudicado”, aponta o estudante. Esse é o caso do vendedor Anderson Naurosk, 31 anos, que trabalha em uma distribuidora de bebidas. Ele mantém contato, diariamente, com 45 clientes via WhatsApp. Agora, está tendo que ligar para cada um deles, além de intensificar o número de visitas. “Além do tempo que a gente perde, vão aumentar minhas despesas”, lamentou.
‘Chateada’
“Estou chateada”. Em tom de brincadeira, a cuidadora Layra Silva, 19 anos, contou que chegou a baixar um aplicativo VPN para “driblar” o bloqueio. “Eu fico sozinha com uma idosa no apartamento e, se acontece alguma coisa, é pelo WhatsApp que eu comunico a família”. Porém, após receber várias mensagens maliciosas, Layra excluiu o novo aplicativo.
Riscos
O especialista em tecnologia da informação (TI) Rafael Silva alerta para os riscos de ter a atividade no celular monitorada ao baixar aplicativos VPN (do inglês, Virtual Private Network). “Trata-se de uma rede virtual privada, ou seja, ao ativar o aplicativo no celular, ao invés da rota de saída para Internet ser através da operadora, será por meio do VPN”, explica.
“O acesso é liberado porque o utilitário é do Exterior e não passa pelo Brasil. Porém, não é aconselhável baixar, pois, uma vez que você faz isso, as pessoas que são donas dessa rede podem ter acesso aos seus dados”, aponta.
Nessa quinta pela manhã, mesmo com o bloqueio em todo o Brasil, alguns usuários conseguiram usar o WhatsApp sem baixar aplicativos para burlar a medida. “O bloqueio foi em todo o País. Mas pode ser que algumas rotas (caminhos que a Internet faz para levar a informação) não foram bloqueadas. Isso é algo raro”, explica.
OAB: ‘Bloqueio fere direito do consumidor’
Conforme o JC noticiou, as principais operadoras de telefonia móvel do Brasil foram intimadas pela Justiça a bloquear o aplicativo de mensagens WhatsApp em todo País por 48 horas. A decisão partiu da 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo e corre em segredo de justiça em uma ação criminal por conta de uma investigação sobre “quebra de sigilo de dados”.
O bloqueio começou às 0h de quinta. Cerca de 13 horas depois, uma liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o restabelecimento do aplicativo. Segundo a decisão do desembargador Xavier de Souza, “em face dos princípios constitucionais, não se mostra razoável que milhões de usuários sejam afetados em decorrência da inércia da empresa”.
Marco civil
Membro efetivo da Comissão de Direito Eletrônico da OAB/SP e especialista em direitos do consumidor, o advogado Ricardo Vieira de Souza destacou que, pelo fato da empresa (Facebook/ WhatsApp) ter escritório e CNPJ no Brasil, existe uma obrigação legal de fornecimento às autoridades brasileiras dos dados cadastrais de usuários investigados.
Porém, com base no que diz o Marco Civil da Internet, a proibição do WhatsApp para todos os usuários brasileiros “fere o direito de neutralidade dos consumidores”. “Existem outros mecanismos para o cumprimento da decisão judicial, que deveria ter sido tomada com mais razoabilidade, para não influenciar no direto coletivo”, critica.
Telegram
Com o WhatsApp bloqueado, a procura pelo Telegram cresceu consideravelmente nessa quinta. Até o horário do almoço, a empresa havia conquistado mais de 1 milhão de novos usuários, conforme anunciou em sua página na Internet. Trata-se de um aplicativo para troca de mensagens, considerado um dos principais concorrentes do WhatsApp. Ele apresenta funções semelhantes às dos demais nomes
do gênero.
