Cultura

Peça traz o "gesto final" de Getúlio Vargas

Aline Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
Drama e humor: ator Zé Francisco fala do Getúlio Vargas que poucos conhecem na peça “Gesto Final” que será exibida domingo

Populista, ditador, pai dos pobres, visionário... Vários “rótulos” são atribuídos a Getúlio Vargas nos livros escolares e nas conversas políticas. Entretanto, há características de sua personalidade ainda pouco conhecidas, que podem contribuir com a compreensão dos bastidores da história.

Motivado por essa ideia, o ator Zé Francisco apresenta o espetáculo “Gesto final”, neste domingo, 20 de dezembro, às 20h30, no Espaço Cênico Atucaec de Teatro em Casa, no encerramento de seu Festival de Natal. Ele interpreta o texto que adaptou do premiado livro “O dia em que Getúlio matou Allende”, de Flávio Tavares, que viveu, de fato, os períodos históricos narrados em sua obra. “Meu personagem é o alterego do autor exilado e, em alguns momentos, a voz do próprio Getúlio”, antecipa o ator.

“A peça tem o drama, mas também uma parte engraçada por conta dos casos amorosos que, na época, não eram motivo de exploração nem para os maiores desafetos”. Além das peculiaridades do presidente, que cometeu suicídio em agosto de 1954, o espetáculo faz menções interessantes sobre o Rio de Janeiro daquela época. “Era a capital do Brasil e a cidade dos sonhos no modo de vestir, sorrir e se comportar”, afirma o ator, que canta à capela a trilha sonora da peça, uma homenagem ao cantor brasileiro Dick Farney.

Manoel Fernandes, responsável pelo Atucaec, comemora a presença de “Gesto final” em seu Festival de Natal. “É uma honra! O Zé Francisco é um grande ator, que nos conduz a um universo cênico sem limites, de forma lírica e impressionante. Além da qualidade, é uma oportunidade de pensar na situação política do país por outro olhar”.

Livro inspirador

O ator Zé Francisco nasceu em outubro de 1954, ano marcado por acontecimentos familiares e fatos históricos, “coincidência” que chamou sua atenção. Quando ganhou do filho o livro “O ano em que Getúlio matou Allende”, ficou curioso e, depois, fascinado pelo capítulo “Rio, mar e lama”, que foca no presidente “populista e visionário”.

“Na escola a gente não conhece a personalidade de Getúlio Vargas. Um dos detalhes interessantes é que ele era avesso à exposição e tinha uma vida quase de clausura”, comenta o ator. “De acordo com o livro, o poder serviu para ocultar Getúlio dele mesmo e de quem o cercava. Só com o tiro ele se expôs de alto a baixo, se despiu do poder e de tudo”.

Sobre o ator

Natural de Pederneiras, Zé Francisco chegou a Bauru na década de 1990.
Formado em comunicação e pós-graduado em pedagogia do teatro e linguagens da arte, é engajado no meio teatral há mais de 30 anos.
Houve intervalos, mas nunca deixou por completo os palcos. Em 1996 retomou a carreira nas artes cênicas, definitiva e profissionalmente. Já atuou em grandes peças como “A mentecapta”, de Mauro Rasi.

Serviço

Peça “Gesto final”: apresentação dia 20 de dezembro, às 20h30, no espaço cênico Atucaec (rua Francisco Ministro Zani, 1-41, Vila Giunta – Bauru). Ingresso: R$ 15,00. Informações: (14) 9 9794-7395.

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