Tribuna do Leitor

Portal da transparência

Iolanda Toshie Ide
| Tempo de leitura: 2 min

Relações promíscuas entre os três poderes da República e empresas foram denunciadas há décadas, senão séculos. Uma profunda reforma política se faz, pois, necessária, como temos proposto há 12 anos. Hoje se alardeiam os casos de corrupção como se fossem uma grande novidade no Brasil. Em interessante artigo, Ricardo Semler, tucano de carteirinha, afirma que nunca houve tamanha redução da corrupção no Brasil. É fácil de se perceber dois dos motivos: a transparência que vem sendo implantada e a ampliação dos quadros da Polícia Federal, além das cobranças de movimentos sociais e instituições como CNBB, Associação Juízes para a Democracia, OAB, dentre outras.


Pode parecer que a corrupção é um fenômeno próprio do Brasil, mas é bom lembrar que a corrupção foi internacional, como foi divulgado no Portal da ONU: la corrupción es un complejo fenómeno social, político y económico, que afecta a todos los países (...) socava las instituciones democráticas al distorsionar los procesos electorales, pervertir el imperio de la ley y crear atolladeros burocráticos (...) y atrofia los cimientos del desarrollo econômico , divulgado pela Agência Telesurtv.


Nesse portal, constam denúncias que vão desde os da Fifa e se estendem aos casos do Brasil, México, Colômbia, Guatemala, Suíça... Não nos esqueçamos que os paraísos fiscais se localizam em vários países enriquecidos porque escondem, em seus bancos,  os frutos da corrupção. É unânime a fama de que a Suíça “lava mais branco”. A lavagem do dinheiro fruto da corrupção se faz também em todos os paraísos fiscais, como também em vários outros grandes bancos que não estão incluídos nessa categoria.


Como sempre, as mulheres pagam o maior custo da corrupção. Embora pouco divulgado, é importante lembrar o emblemático caso do ex-presidente do Peru Alberto Fugimori, hoje preso. Aliado a grandes empresários e traficantes de droga, expropriou comunidades indígenas e, para garantir a posse de territórios expropriados, implantou um vasto programa de esterilização das mulheres indígenas em período fértil, como também foi promovido por Antonio Carlos Magalhães no estado da Bahia. Milhares de jovens mulheres foram submetidas à esterilização forçada, resultando em alguns casos de morte e muitos de graves sequelas. Hilária Supa Huaman, membro do Parlamento Andino e ex-deputada federal, denunciou e promoveu uma ampla campanha pelo tratamento para as mulheres com sequelas e pela punição dos agentes agressores.


Os regimes ditatoriais incentivaram uma vasta corrupção que favoreceu a organização de verdadeiros impérios empresariais, financeiros e midiáticos como no Brasil. Proposta pela Assembléia Geral da ONU em 2003, foi aprovado a convenção contra a corrupção que entrou em vigor em dezembro de 2005, designando o dia 9 de dezembro como Dia Internacional contra a Corrupção. Reforma política, já!

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