Tribuna do Leitor

Trânsito de Bauru: temerário e irritante

Paulo César Fellippini
| Tempo de leitura: 4 min

Transitar pelas ruas de Bauru está se tornando irritante e muito temerário em razão do descaso com a segurança viária de muitos motoristas e motociclistas em nossa cidade. Que, a meu ver, pouco se importam com a segurança dos demais ou então, não sabem o que estão fazendo na condução de seus veículos. Basta um pequeno passeio pelas ruas de Bauru e poderemos observar como muitos condutores de veículos e até mesmo os pedestres praticam infrações que, em muito, contribuem para a ocorrência de acidentes e atrapalham aqueles que estão trabalhando para evitar ou socorrendo os neles envolvidos. Vejamos alguns exemplos de condutas que podem provocar acidentes de trânsito:


a) dirigir com o braço do lado de fora do veículo (estaria secando as unhas, após sair da manicure?); b) dirigir segurando no alto da porta (a porta pode cair?); c) falando ao celular (modismo que pode causar acidentes); d) conduzir o veículo somente na faixa da esquerda (será que Bauru adotou a mão inglesa? Além de atrapalhar a passagem dos veículos de socorro, policiais e dos outros usuários); e) capacete apoiado na testa ou com a jugular aberta e frouxa (está protegendo o quê?); f) criança no colo do (a) motorista ou do passageiro da frente (é tão bonitinho, não é? Até o dia que esta criança for prensada pelo adulto contra o painel do veículo ou arremessada para fora através do para-brisas ou das janelas laterais, ou até mesmo, ser jogada pelo interior do veículo como uma bola).


g) Mudar da faixa que está transitando para outra ou convergir para a esquerda ou direita sem acionar a “seta” ou usar os espelhos retrovisores (para quê? São acessórios que vem como “opcionais” no veículo – lembrando que a “seta” não é direito do condutor do veículo, mas apenas um aviso de sua intenção de efetuar alguma manobra e que deve ser acionada com antecedência antes do local e não em “cima” – quando é acionada);


h) Criança em pé entre os bancos dianteiros ou no banco traseiro (Ah! Mas ela não obedece! Você é o adulto e deve saber que em caso de frenagem brusca ou acidente, esta criança poderá ser arremessada para fora do veículo através do para-brisas, bater contra o painel ou cair sobre a alavanca do câmbio) – pais, preservem o maior tesouro que Deus lhes deu – “seu filho”;  i) atirar para fora do veículo objetos (papéis, sacos plásticos, pontas de cigarro, etc.), pois podem atingir pessoas ou outros condutores que estejam na via; j) ao efetuar uma conversão (à direita ou à esquerda), “abrir” a curva do veículo para adentrar a rua para onde vai, principalmente os automóveis (seus condutores deveriam ser habilitados somente nas categorias D ou E, pois rebocam carretas invisíveis de grandes proporções atrás de seus automóveis. Por isto precisam “abrir” para fazer a curva/conversão).


E estas são apenas algumas das infrações de trânsito que observo em Bauru, pois se todas elas fossem constatadas e autuadas, não haveria, creio eu, talões de autuações suficientes para tantas. E não estou me referindo a tal “indústria de multas” que só aqueles que cometem infrações no trânsito proclamam por aí. Educação para e no trânsito deveria ser uma matéria obrigatória também nos cursos de formação de condutores ministrados pelas Auto-Escolas, pois não é o que se nota no dia-a-dia em Bauru. Infelizmente muitos dos envolvidos no trânsito enraizaram uma frase em suas mentes, de tal forma que os maiores valores do ser humano estão sendo desprezados, tais como: a vida humana, honestidade, respeito ao próximo, educação (de berço e no trânsito), dentre tantos outros. Frase esta dita por um ex-jogador de futebol ao anunciar uma marca de cigarros: “O negócio é levar vantagem em tudo, certo? ” – Que bela lição de vida nos passa esta frase, não é?


Talvez muitos que venham a ler esta carta não concordem com o que foi dito por mim aqui, mas achei que devia dar minha contribuição para tentar melhorar nosso trânsito e preservar mais vidas. Tudo o que foi citado me faz lembrar a parábola do beija-flor e o incêndio na floresta – se cada um de nós fizer sua parte e não esperar que alguém faça, poderemos preservar muitas vidas.

 

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