Geral

Cão de rua vira mascote de idosos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Quioshi Goto
Eliane Vilela, com Bob no colo, e Izabel Alves: mascote encontrado em caixa de papelão muda rotina em residencial geriátrico 

Dentro  de uma caixa de papelão com outros sete irmãos, Bob, em seus primeiros dias de vida, tinha um destino incerto. Se não fosse pelas mãos da protetora de animais Soraya Gasparini, talvez nem mesmo tivesse resistido ao abandono.

Mas o cãozinho não apenas sobreviveu, como estabeleceu uma nova - e animada - rotina à vida de 26 idosos que vivem em um residencial geriátrico nos Altos da Cidade, em Bauru. Com a graça e energia que todo filhote tem, Bob encantou os moradores e já se tornou o centro das atenções da casa.

“Eu o adoro. Ele é brincalhão, se encosta em qualquer pessoa que encontra, querendo carinho. Mudou completamente os nossos dias. Nunca vi este lugar tão alegre como agora”, conta uma das pacientes, Eline Vilela, 75 anos. Também moradora, Izabel Alves, 80 anos, faz coro. “É um cachorrinho muito bom, muito divertido. Todos gostam dele e ele gosta de todo mundo também”.

Foi com esta simpatia que o cãozinho ganhou tantos donos de uma só vez. Inicialmente, o vira-latas seria adotado pelo dono do residencial, Sérgio Paulo Castro, para viver em uma chácara, mas ficou após inúmeros pedidos.

A sorte de Bob começou a ser traçada logo depois de ele ser abandonado com outros sete filhotes em uma caixa de papelão, em uma das ruas da Vila Santa Luzia, no final do ano passado. A protetora de animais Soraya Gasparini foi acionada por um dos moradores do bairro e correu em socorro à ninhada, que tinha cerca de 30 dias de vida.

“Os filhotes foram resgatados, vermifugados e tratados, até que pudessem ser adotados. E o Bob foi o último a encontrar um lar”, relembra ela. Foi em postagem no Facebook feita por ela que Sérgio descobriu que Bob estava para adoção.

Mudança de planos
A ideia inicial era levar o filhote para sua casa e era esperar que ele crescesse, para, então, levá-lo a uma chácara da família. Mas a entrega do cãozinho, há cerca de três semanas, acabou ocorrendo no próprio residencial e as poucas horas de permanência do vira-latas no local inicialmente planejadas acabaram por tempo indeterminado.

“A partir do momento em que vimos que os idosos ficaram apaixonados, decidimos que ele ficaria aqui. E foi incrível”, comenta Sérgio. Ele conta que o lar atende idosos com mal de Alzheimer e outras doenças degenerativas e que, a cada dia, a presença de Bob tem demonstrado como a interação entre pessoas e animais pode ter funções terapêuticas.

“Uma das idosas, que já está com a memória bastante prejudicada, ficou encantada com o Bob. No dia seguinte, surpreendentemente, ela se lembrou e veio nos perguntar onde ele estava. Ficamos muito felizes com esta reação tão positiva”, comemora.

De acordo com o proprietário, o cãozinho se juntou a papagaios e passarinhos que já vivem no residencial. Depois do sucesso feito pelo mascote, em breve, a casa deverá ganhar um novo morador: um mini porco que será trazido, também por adoção, de São Paulo.

Eline Vilela, Izabel Alves, Edith Baccarin e Vera Bueno são acompanhadas por Bob no banho de sol

 

Comentários

Comentários