Não, não são os anos 80 que você pensou. Roupas coloridas, rock juvenil, séries de sucesso. São outros anos 80. Aqueles dos quais nós acreditamos que não chegaremos perto.
Dias atrás uma repórter procurou por Luiza Erundina para marcar uma entrevista. Ela disse que seria melhor já, no mesmo dia, porque tinha pressa: agenda cheia, fundando partido, viajando... Erundina tem 81 anos.
Boni acaba de lançar livro e, ainda que o “status” de ex-todo poderoso da TV seja verdadeiro, segue na ativa, sem paradeiras de ex, e a seu modo: controverso, contundente, destemido, talvez. Boni tem 80 anos.
Ary Fontoura emenda um trabalho no outro, mantém a vitalidade na TV, está nas redes sociais, não dá sinal de esgotamento. Ary tem 82 anos.
Ou seja: só para ficar em nomes conhecidos, que frequentam o noticiário e o universo da fama, formamos uma seleção de notáveis (ou melhor, duráveis).
Renato Aragão (81), Cauby (84), Angela Maria (86), Francisco Cuoco (82), Tarcísio e Glória (80 e 81), Silvio Santos e Lima Duarte (ambos, com 85), Maurício de Sousa (80)...
E, ainda ficando apenas na seara dos holofotes, três deles logo estarão “oitentando”: Dedé Santana (em 9 de maio), Luís Fernando Verissimo (em 26 de setembro) e Rolando Boldrin (em 22 de outubro). Se quiserem, esses estreantes podem pedir conselhos ao Luciano Dias Pires, 88, editor do “Bauru Ilustrado” do JC e sempre cheio de boas sugestões.
Pena que não posso incluir o produtor e arranjador inglês George Martin, dos Beatles, nessa lista: ele chegou aos 90 em 3 de janeiro de 2016.
Para quem diz que a vida é curta essa turma toda aí persiste na contrariedade. São, com o perdão da poesia, admiráveis velhos novos.
Juca de Oliveira e Alaíde Costa (ambos com 80), Flavio Migliaccio (81), Fernanda Montenegro (86), Chuck Berry (89)... Inspirem-nos mais: permaneçam assim.
O autor é editor executivo do JC