Geral

Documentos são os mais perdidos no Poupatempo local

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Alex Mita
Segundo Nádia Bicarato, Poupatempo recolheu 78 objetos este ano

Guarda-chuvas, óculos de sol, chaves e carteiras são objetos comuns esquecidos pelas pessoas que frequentam o Poupatempo de Bauru. Mas nenhum deles supera os documentos - ironicamente, o principal motivo da ida de centenas de pessoas à unidade todos os dias.

Segundo levantamento do órgão, no ano passado, 66% dos 550 itens deixados pelos usuários de Bauru eram documentos. Somente nos primeiros 20 dias de 2016, os frequentadores já esqueceram 78 objetos no posto, sendo 45% deles documentos.

E a cidade segue uma tendência estadual. De acordo com estatísticas de 9 de dezembro do ano passado a 5 de janeiro deste ano, foram localizados e recolhidos 1.082 objetos em todas as unidades do Poupatempo no Estado - 804 eram documentos. Destes, os campeões foram os RGs (270), seguidos pelas CNHs (163) e pelos CPFs (82).

Administradora do Poupatempo em Bauru, Nádia Bicarato revela que o índice de procura e devolução dos itens perdidos é pequena. Por este motivo, o órgão desenvolveu um aplicativo para facilitar a vida dos frequentadores “distraídos” (leia mais abaixo).

Nádia explica que, normalmente, os documentos deixados na unidade não são os que os usuários foram buscar no órgão, mas também não são, necessariamente, os que deixaram de ter utilidade para estas pessoas. “Muitas vezes, elas não retornam ao Poupatempo simplesmente porque não conseguem se lembrar de que podem ter deixado o item perdido aqui. Podem procurar em outros lugares e simplesmente desistir”, pondera.

Pelúcia e pirulito

A administradora da unidade relata que, além de documentos, entre os itens perdidos com maior frequência estão carteiras, nécessaires, calçados, guarda-chuvas, livros, bijuterias, tiaras de cabelo, toalhas, chaves e óculos. Mas há objetos inusitados, assim como situações que fogem à normalidade.

Ela relata duas ocorridas recentemente. “Houve um caso em que uma criança perdeu um bichinho de pelúcia, que foi encontrado e encaminhado para a nossa administração. A mãe veio até nós e devolvemos o brinquedo, acompanhado de um pirulito. Momentos depois, o bichinho voltou à administração, assim como, na sequência, a mãe e a criança. Quando chegaram, a criança recebeu o brinquedo e pediu o pirulito, quando entendemos que ela havia se desfeito do bichinho de propósito porque havia associado a perda a ganhar o doce”, detalha.

Em outra ocorrência, um trabalhador esqueceu sua marmita, contendo alimento, em um dos bancos do Poupatempo, ao usar o serviço para a emissão de um documento. Cerca de 30 minutos depois, ao se dar conta do esquecimento, retornou à unidade para resgatar sua refeição. “Ele ficou feliz e nos agradeceu muito, dizendo que tínhamos salvado o almoço dele, já que iria ficar sem comer se não tivéssemos encontrado”, completa Nádia.

Sempre atento

Alex Mita
Priscila diz adotar todas as medidas de cautela para não ser traída pela memória

Ainda que muitos usuários do Poupatempo sejam distraídos, a maior parte toma os cuidados necessários para que nenhum documento ou objeto seja deixado para trás. O servidor público aposentado Ronaldo Casemiro Messias, por exemplo, se considera um homem precavido e orgulha-se de nunca ter perdido nada em seus 47 anos de vida.

“Quando a gente vem ao Poupatempo, acaba manuseando muitos papeis, então é importante estar atento, conferir para ver se não esqueceu nada”, ensina. Da mesma forma, a auxiliar financeira Priscila Kotaki Carvalho, 28 anos, diz adotar todas as medidas de cautela para não ser traída pela memória.

Entre as dicas, está sempre observar banco, mesa de atendimento a até mesmo o chão do prédio, nas imediações de onde está, antes de ir embora. “Eu me considero uma pessoa cuidadosa e não me lembro de já ter perdido coisas na rua. Se prestar sempre atenção, o risco de esquecer algo diminui”, opina.

Unidade tem aplicativo para ajudar os ‘distraídos’

A partir de agora, todos os documentos localizados no Poupatempo serão registrados em um aplicativo desenvolvido pelo órgão para facilitar a vida dos usuários “esquecidos”. Para usar o sistema eletrônico, basta baixar, no celular ou tablet, o ‘SP Serviços’, que reúne diversos aplicativos e informações do Poupatempo e de outros órgãos do governo de São Paulo.

O programa já está disponível para as plataformas iOS e Android. A pessoa que perdeu um documento a partir do dia 9 de dezembro de 2015 pode fazer a pesquisa pelo tipo, número ou nome de identificação, para ficar sabendo se ele está disponível para retirada.

Quanto a objetos esquecidos e, especialmente, coisas de valor, como carteira com dinheiro e celulares, os donos devem entrar em contato com o disque Poupatempo (0800 772 36 33) para ligação de telefones fixos ou (11) 2930-3650 para ligação de celulares. O horário de atendimento é de segunda a sexta-feira, das 7h às 20h, e aos sábados, das 6h30 às 15h.

Neste caso, os objetos não ficam relacionados no aplicativo para evitar que outras pessoas possam se apresentar como donos. “Por uma questão de segurança, o proprietário terá de descrever o objeto perdido para tê-lo de volta”, esclarece Nádia Bicarato.

Inusitados

A seção de achados e perdidos do Poupatempo de Bauru já recebeu objetos inusitados. Por incrível que pareça, usuários já esqueceram de muletas a dentaduras e até aparelhos auditivos. “Ficamos nos perguntando como a pessoa não se dá conta e vai embora sem estes dispositivos tão imprescindíveis para o bem-estar delas. Já deixaram aqui um único pé de calçado adulto, roupa íntima usada e capacetes. Isso mostra o quanto algumas pessoas podem ser desatentas”, conta Nádia Bicarato.

Comentários

Comentários