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Mais uma vez, falta de insulina volta a atormentar diabéticos

Marcus Liborio
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Alex Mita
Juliana mostra documento que garante o recebimento das insulinas: “Me sinto desrespeitada, triste e sem amparo”
Douglas Reis
O designer Denis Correa Vivan, de 32 anos, mostra a sua última caneta com refil de insulina

“Me sinto desrespeitada, triste e sem amparo mediante a tanto descaso com o ser humano”. O desabafo é de Juliana de Brito Piagente, 21 anos, que depende de medicamentos e produtos para o controle do diabetes. Portadora da doença desde os 9 anos, ela faz uso de insulinas, recebidas gratuitamente do Estado, através de solicitação administrativa.

A jovem está há pelo menos um mês sem retirá-las em uma unidade do Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-6). O problema não é de agora. Ela alega que há mais de seis meses que o abastecimento não está totalmente normalizado.

Em outubro do ano passado, o JC fez matéria com a paciente que, na ocasião, estava há quase três meses sem a insulina. A justificativa sempre é a mesma: os produtos estão em falta. “Quando arrumam o medicamento, nunca dá para o mês todo”, critica.  

O mesmo impasse é vivido pelo designer Denis Correa Vivan, 32 anos. Ele diz que, há cerca de dois meses, não consegue retirar refil com insulina Detemir na Farmácia de Ação Judicial (Unidade Dispensadora UD- 6) de Bauru. No caso dele, os produtos são garantidos por meio de ação judicial.

Em relação à Juliana, ela retira insulinas Glargina e Lispro em um posto do DRS-6, no Centro da cidade. Quando completou 18 anos, a jovem passou a receber os medicamentos da Secretaria Estadual de Saúde, por meio da Coordenação de Demandas Estratégicas do Sistema Único de Saúde (Codes), pois a medicação custa em torno de R$ 2 mil mensais.

Porém, sem o medicamento, tanto Juliana quanto Denis estão tendo que “se virar” para driblar os sintomas da doença. “Estou pegando por meio do Programa Farmácia Popular, mas são insulinas muito inferiores as que eu preciso tomar”, relata a jovem, que sofre de diabetes tipo 1, quando há perda total da capacidade do pâncreas produzir insulina.

Por não ter condições de arcar com os custos do medicamento e ser obrigada a fazer uso de insulinas que nem sempre surtem o efeito esperado, ela já começa a sentir as consequências. “Cheguei a ir algumas vezes para o pronto-socorro, sentindo tonturas, coração acelerado, muita sede, câimbras, mal estar, náuseas e até mesmo vômito”, conta.

Mesmo problema

A situação do designer Denis Correa é semelhante a de Juliana. Portador de diabetes tipo 1 há 28 anos, ele também recebe os medicamentos e produtos do Estado. Há mais de dois meses, contudo, a resposta quando ele vai tentar retirar a insulina é a mesma: está em falta.

“Estou conseguindo emprestada com alguns conhecidos, mas é difícil, pois não é de hoje que falta medicamento. Várias vezes, inclusive, precisei comprar. Eu uso seis refis por mês, que custam R$ 300,00. Cada um dura apenas cinco dias”, explica Denis.

O refil que ele tinha na caneta para insulina só duraria até o final do dia dessa segunda-feira (1). “Depois que acabar, não sei como vai ser. Vou no posto de novo e torcer para que tenha chegado”, comenta o designer. E a medicação chegou, para alívio de Denis.

OUTRO LADO

Em nota, o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Bauru esclarece que a insulina Detemir está disponível para retirada na apresentação “caneta”. Denis Correa Vivan foi contatado e retirou a insulina já nessa segunda-feira (1) mesmo.

“Em relação ao caso da paciente Juliana de Brito Piagente, esclarecemos que a paciente retirou as insulinas Glargina e Lispro no último dia 7 de janeiro. Esclarecemos que houve um desabastecimento temporário devido a aumento inesperado de demanda, porém, os itens já foram remanejados de outra farmácia do Estado e, assim que estiverem disponíveis, a paciente será avisada. É importante destacar que estes itens não fazem parte da lista de medicamentos e insumos definida pelo governo federal para distribuição gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).”

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