Carnaval 2016

Folia de bloco agita as ruas do Centro de Bauru


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Fotos: Samantha Ciuffa
Rei Momo, Edmar Donizete da Silva e o rei e rainha da Terceira Idade, Arnaldo Frabetti e Dirce Lúcio de Albuquerque à frente do bloco

Foi uma prévia da alegria que deveria tomar conta do Sambódromo, nesse sábado (6) à noite, e nesta madrugada de domingo (7). Pouco depois do meio-dia o bloco “Bauru sem Tomate é Mixto” cumpriu a promessa e desceu a tradicional Batista de Carvalho anunciando por assim dizer, a abertura do Carnaval de rua da cidade.

À frente estavam o rei Momo 2016, Edmar Donizete da Silva e o casal real da Terceira Idade, Arnaldo Frabetti e Dirce Lúcio de Albuquerque.

As pessoas que foram ao Calçadão e não sabiam o que iria acontecer se surpreenderam positivamente. É o caso de Silvia Pirolo que foi fazer compras, mas ao invés de ir embora, ao lado das filhas, Jéssica e Jaqueline, tratou de conseguir um lugar à sombra, num banco e encostar para ver o bloco passar. “Uma surpresa, está muito legal, muito boa a iniciativa”, disseram em coro.

O que as três também não sabiam é que este já era o quarto ano seguido que a turma irreverente sai às ruas. E sempre trazendo figuras bastante conhecidas da cidade, algumas figuras carimbadas e a maioria engajada em causas, tanto políticas quanto de cunho social. Assim a turma com mais de 100 integrantes fez do enredo “Bagunça no Coreto” uma espécie de desabafo das mazelas que povoam a história da cidade. Assim, lembraram do viaduto da Falcão-Bela Vista, agora acabado, mas lamentavam “faltou a outra mão”. A Oficina Cultural fechada e a reforma da praça Rui Barbosa também foram criticadas. Aliás, foi justamente no coreto da praça que o público se reuniu, antes de seguir pela rua Batista.

Nostalgia e musa

Com nostalgia reagiu Esso Maciel, vestido de onça, sua marca registrada que, desfilava sua alegria no bloco. Esso, autodefinido como “o homem-onça de 70 anos de Carnaval”, estava feliz e dizia repetidamente que o encontro “está valendo, está valendo”. Justificava também seu saudosismo: “tenho 75 anos de idade, desfilo desde pequeno, aos 5 anos comecei, mas no passado era muito melhor. Muito melhor mesmo”.

Fotos: Samantha Ciuffa
Valquíria e a filha Yasmin: plantando o futuro do Carnaval bauruense
Luciano Lopes e o “filho”, o cão Sheik chamavam a atenção

Já Sarah Fernandes, “coloca aí bauruense de velhos carnavais”, transexual e homenageada pelo grupo, eleita a musa do grupo deste ano, do alto dos seus mais de 60 anos, não era tão saudosista e elogiava a juventude e especialmente a volta do “carnaval do Sambódromo. Nem dá para acreditar que temos um sambódromo há mais de 25 anos. Pena que ficou um tempo fechado, mas com certeza agora está muito melhor, mais animado, melhor organizado. Estou com uma expectativa bem boa. Aqui também está legal, essa bagunça no coreto, unindo gente de todas as idades”.

Crianças e cachorro

E de fato, o cortejo desse sábado (6) atrai bastante criancinha. Valquíria Vera Corrêa, 36 anos, cabeleireira, fez questão de trazer a filhinha Yasmin Corrêa de apenas um aninho para sambar. Ela que é do Mato Grosso do Sul, adotou Bauru como sua há 15 anos, estava bem feliz e vê “evolução no Carnaval da Cidade, ninguém deveria ficar de fora, espero que melhore ainda mais”.

E teve até espaço para animais desfilarem. Luciano Lopes, distribuidor, levou aquele que chamou de “meu filho, o Sheik Lopes” para sambar e ensaiava uns passos com o cachorro, “meio pastor, meio sem raça definida, mas ele é lindo, não é? Perguntava orgulhoso. E o animal entrava mesmo na dança.

Samantha Ciuffa
Esso Maciel, o “homem-onça” figura lendária nos carnavais de rua da cidade desfila há 70 anos

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