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Canções de amor e liberdade

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Nos 20 anos de morte do cantor e compositor Taiguara, hoje, pego-me pensando no maior valor por ele defendido em obra e vida: a liberdade. Penso, também, como somos hábeis em manipular o que, em essência, deveria ser preservado como um órgão vital.

Explico: muitos se apropriam dela, a liberdade, para exercício de domínio sobre o outro. Por vezes é curiosa a adoção da palavra “libertação” prometida aqui e ali – e, que, em verdade, significa deixar uma dependência para se fixar em outra.

Também a palavra “libertário”, não raro, é revestida de estigma e preconceito, o que a distancia de sua real significação. “Liberal”, “liberto” e “liberalidade” são outros exemplos derivativos da tal liberdade e que, igualmente, camufla outras intenções bem menos “liberalizantes”. Isso, claro, e repito, quando há manipulação. É o que fazemos o tempo todo – e nem sempre se dando conta. Tirem os pequenos da sala: somos nós, os vilões.

Fico triste quando penso que perdemos utopias – e não é de hoje. A utopia é o farol, o guia, o facho de luz sobre a vida dura e simples. Não posso perder a utopia de que é possível uma vida sem manipulações – e com mais liberdade. Se pudesse escrever um mandamento, seria: “Não usarás o santo nome da liberdade em vão”.

Mas será que até a mais legítima liberdade é totalmente liberta de qualquer freio ou regra? Seria uma... utopia isso? Opa, temos um problema: não sou adorador do caos. Entra em cena o adorável bom senso. Quem tem, vive sua liberdade em paz. Quem abomina só faz invadir o território alheio em sua marcha de colonizador.

A encrenca é jogar o bom senso para o humano decidir: volta a girar a roda da manipulação. Raios! Mas, como acreditar é um ofício do coração, sigamos a persistir no sonho: liberdade para todos, sem amarras ou abusos.

Taiguara tem um disco chamado “Canções de Amor e Liberdade” (1983) e inúmeras composições de outros álbuns a defender, por exemplo, que as crianças cantem livres sobre os muros. Não sei o que há do outro lado do muro entre vida e morte, mas espero que seja algo menos confuso do que aqui. Sem humanas manipulações. Com liberdade para amar.

O autor é editor executivo do JC

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