Esportes

Basquete: pela paz

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Antonio Carlos Barbosa, técnico da Seleção
Ao assumir o comando da seleção brasileira feminina de basquete, em dezembro, Antônio Carlos Barbosa encontrou um cenário complicado: o boicote dos clubes à Confederação Brasileira de Basquete (CBB), não cedendo atletas para o evento-teste dos Jogos Olímpicos, realizado no mês passado, no Rio de Janeiro.

 

Agora, o treinador acredita que o clima na seleção vai começar a melhorar, e que nas Olimpíadas tudo isso estará superado. “Os clubes da Liga Nacional (Liga de Basquete Feminino) exigiram a saída do técnico anterior (Luiz Zanon), e depois queriam ser consultados para tudo, participar até da escolha de treinador, intervir na Confederação. No evento-teste, Sampaio Corrêa quebrou o boicote e cedeu jogadoras para a seleção. Completamos com três juvenis, e apesar das dificuldades, não fizemos feio na competição. Os clubes perderam esse primeiro round. É um desgaste, desagrada às próprias jogadoras, porque todo mundo quer defender a seleção”, ressalta o técnico bauruense, que está em sua terceira passagem pela seleção, somando mais de 20 anos de serviços prestados.

 

Para as Olimpíadas, que serão em agosto, Barbosa lembra que muitas jogadoras já não estarão vinculadas aos clubes, pois a maioria dos contratos terminam ao final da temporada, entre abril e maio. E o treinador quer levar o que tem de melhor. “Olimpíadas não é momento de fazer renovação. É momento de levar o que tem de melhor, independentemente da idade. Claro que sempre há espaço para jogadoras mais jovens, e isso é bom também, mas temos que contar com nossa força máxima nos Jogos”, declara.

 

As sete atletas brasileiras em atividade que já jogaram ou jogam na WNBA estão nos planos de Barbosa: Clarissa, Damiris e Érika, que estão atuando nos Estados Unidos, e Iziane, Kelly, Adrianinha e Nádia. “Claro que queremos levar todas elas. Em tese são sete vagas. Mas temos mais cinco vagas completamente abertas”, defende o comandante da seleção feminina.

 

Ele pretende convocar entre 15 e 16 jogadoras para o Sul-Americano, no final de maio, quando começará a definir os cortes para fechar a lista final com 12 convocadas para as Olimpíadas.

 

Melhoria

Barbosa admite que o basquete feminino vive um momento complicado no País, com poucas equipes na elite nacional, e que o caminho é voltar a ter projeção internacional para incentivar a prática da modalidade. “Ninguém divulga esporte perdedor na mídia. O basquete feminino precisa voltar a ter protagonismo nas competições internacionais, e isso passa por um bom resultado nas Olimpíadas, buscar chegar a uma boa colocação. É possível sonhar com medalha”, defende.

 

Segundo o treinador, naturalmente o favoritismo ao ouro é dos Estados Unidos, e a Austrália vem como segunda força. O Brasil poderia brigar por um bronze com os times europeus. “São seleções fortes, mas está bastante nivelado. Podemos disputar bons jogos contra os times da Europa”, salienta.

 

 

Base

 

A respeito da formação de atletas, Barbosa lembra que historicamente as modalidades possuem menos equipes no feminino do que no masculino. “Isso acontece em praticamente todos os esportes, e no basquete não é diferente. Quando o Brasil foi campeão mundial, em 1994, houve um aumento do número de times no Campeonato Paulista, mas logo depois voltou ao patamar de sempre. E este momento atual do País não favorece, porque as categorias de base, especialmente no feminino, dependem muito do apoio das prefeituras. Mas é importante que exista esse incentivo às categorias de formação”, conclui.

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