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As cartilhas da indecência

Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 3 min

Parece semelhança, mas não é mera coincidência, é a mesma ideologia que tenta subverter a sociedade democrática, trocando liberdade por licenciosidade. Mário Vargas Llosa, escritor peruano, Prêmio Nobel em 2010, em “A Civilização do Espetáculo”, comenta que em 2009, na comunidade autônoma de Estremadura (Espanha), governada por socialistas, o plano de educação criou ‘oficinas de masturbação’ para meninos e meninas a partir de 14 anos. Em resposta aos protestos dos contribuintes de que não era desse modo que deveria ser aplicado o dinheiro dos impostos, a Junta Governativa respondeu que isso “era indispensável para prevenir gravidezes indesejadas”.

Se alguém ainda não viu, basta abrir o Google com ‘cartilhas de educação sexual do MEC’, para ver em que o governo está aplicando o nosso suado dinheiro. Duvidamos que não fique estarrecido e indignado, principalmente se tiver filhos na escola ou para frequentá-la futuramente. Com o dissimulado objetivo de dar orientação sexual às crianças, essas cartilhas são verdadeiros manuais de sexo. Ensinam a praticar sexo desde a mais tenra idade. Não dá para deixar de imaginar que os seus autores até sintam desejos libidinosos quando as desenham e escrevem. E o que dizer daqueles que autorizam a sua produção e distribuição? E qual a reação de governadores, prefeitos e seus secretários e diretores de ensino que as recebem e distribuem, também concordam ou aceitam porque receberam como contribuição? Mas isso não é um presente, é pago com verba da educação, que por ser escassa, em alguns lugares as aulas são dadas até de baixo de árvores.

A educação é um processo que se inicia na família e prossegue na escola, no trabalho, no convívio social e, subjetivamente, pela leitura, TV, teatro e, agora, de forma mais intensiva, pela Internet. A virtude desse processo está no começo, que para Aristóteles, sendo bom já é a metade de tudo. Esse começo é o período que abrange família e escola na infância. É a base, o alicerce sobre o qual se estrutura a personalidade. É dele que depende a continuidade sadia do processo educativo para a estruturação da própria família e da sociedade, de acordo com seu ideal de paz, de justiça, liberdade, igualdade e fraternidade. Uma falha nesse começo, por abandono da criança à própria sorte ou pela intromissão de ideias e práticas contrárias aos bons costumes compromete o futuro da pessoa, com consequências na família e na sociedade. Ao Estado é que compete a salvaguarda, e é para isso que ele recebe os impostos e não para aplicá-lo em licenciosidade.

O engodo não está no projeto em si, mas nas mãos a que foi confiado. O documento do MEC diz textualmente: “A sexualidade é primeiramente abordada no espaço privado, pelas relações familiares. Assim, de forma explícita ou implícita, são transmitidos os valores que cada família adota como seus e espera que as crianças assumam. Nesse sentido, o trabalho realizado pela escola, denominado aqui de Orientação Sexual, não substitui nem concorre com a função da família, mas antes a complementa.” E é com essas cartilhas indecentes, semelhantes a publicações de sacanagem, que as escolas pretendem complementar a educação segundo os valores das famílias?

Mário Vargas Llosa também vê uma grande perda nessa forma de tratar a sexualidade: “Reconheço as boas intenções que as animam e admito que, com campanhas dessa índole, não é impossível que diminua o número de gravidezes indesejadas. Minha crítica é de índole sensual e sexual. Temo que, em vez de livrar as crianças das superstições, mentiras e preconceitos que tradicionalmente cercam o sexo, as oficinas de masturbação o trivializem ainda mais do que a civilização do nosso tempo já o trivializou, de tal  modo que acabem por transformá-lo num exercício sem mistério, dissociado do sentimento e da paixão, privando assim as futuras gerações de uma fonte de prazer que irrigou até agora de maneira tão fecunda a imaginação e a criatividade dos seres humanos.”

O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru

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