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O adeus emocionado da família de Marinez

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis
Corpos de Newton, Natalia Gabriela, Thallyson e Nataliely foram enterrados no Cristo Rei
João Rosan
Familiares e amigos de Luick Claro se despediram do adolescente em tom de muita comoção

Esvaída pela tristeza e amparada por familiares e amigos, Marinez dos Santos Avante, 40 anos, acompanhou à distância a saída do cortejo fúnebre dos três filhos e do marido, após tragédia em riacho que interrompeu a vida de cinco pessoas da mesma família, entre elas quatro adolescentes.

Em silêncio e com olhar fixo, da varanda de uma residência em frente à igreja onde foi realizado o velório, no Parque Jaraguá, a dona de casa observava o momento em que cada caixão era colocado nos veículos funerários. Foi dali, após dizer que não tinha condições de ir ao cemitério, que Marinez deu o último adeus a seus entes queridos.

Minutos antes, o corpo de Luick dos Santos Claro, 15 anos, que era namorado de uma das adolescentes vítimas do afogamento, seguiu para o Cemitério do Redentor, onde foi sepultado sob forte comoção (leia mais abaixo).

Desespero

O funcionário público municipal Newton Mello Avante, 44 anos, os filhos Natalia Gabriela dos Santos Avante, 17 anos (namorada de Luick), Thallyson Natan dos Santos Avante, 17 anos e Nataliely Mariana dos Santos Avante, 13 anos, foram enterrados no Cemitério Cristo Rei, às 9h30 dessa terça-feira (16). Estiveram no local cerca de 200 pessoas.

O silêncio marcou o sepultamento de Newton, primeiro a ser colocado em um jazigo da família. Era possível ouvir o canto dos pássaros enquanto os familiares e amigos observavam, desolados, o caixão “sumir” em meio ao túmulo. A cena no sepultamento dos adolescentes foi diferente. Enquanto eram sepultados, em túmulos lado a lado, mas a cerca de 50 metros de onde o pai foi enterrado, o que se via era comoção e muito desespero.

Desde que o cortejo fúnebre saiu do velório na igreja, uma prima das vítimas, de 15 anos, se mostrava inconsolável. Durante o sepultamento, ela não suportou a carga emotiva e passou mal. Em certo momento, a adolescente se afastou dos túmulos e começou a correr em direção à porta do cemitério, precisando ser amparada pela mãe e pelos bombeiros, que acompanhavam a cerimônia. Minutos depois, ela se acalmou e foi levada para casa.  

O irmão mais velho, de 22 anos, acompanhou o enterro, nessa terça. Amparado por familiares e muito abalado, o jovem não quis falar com a reportagem do JC.

Homenagem da PM

Três viaturas da PM e 20 policias militares acompanharam o cortejo fúnebre e o enterro no Cemitério Cristo Rei, como forma de homenagear Thallyson Avante, 17 anos. O adolescente tinha grande admiração pela Polícia Militar e sonhava em seguir carreira na corporação.  

“Além da homenagem, também estamos prestando condolências ao colega de trabalho, o coronel Airton Iosimo Martinez (comandante do CPI-4), que era primo de terceiro grau das vítimas”, contou o tenente-coronel PM Walter de Oliveira.

Mãe de Luick também não foi ao sepultamento

O sepultamento de Luick dos Santos Claro, 15 anos, estava previsto para as 9h dessa terça-feira (16), no Cemitério do Redentor. No entanto, funcionários municipais do necrópole ainda não tinham aberto o jazigo quando o corpo chegou ao local. O veículo funerário permaneceu cerca de 15 minutos parado no portão, aguardando o processo.

Por meio da assessoria de comunicação, a Emdurb disse que, em razão do tempo chuvoso, para evitar que acumule água da chuva, evita fazer a abertura do túmulo com antecedência. Após solucionado o detalhe, cerca de 40 pessoas, entre familiares e amigos, deram o último adeus ao jovem, aprovado recentemente em primeiro lugar no Vestibulinho CTI da Unesp. Muito abalada, a mãe de Luick não acompanhou o sepultamento do filho. 

Comovidos, avô e tias tentavam entender a tragédia que tirou a vida do adolescente. Uma das tias se desesperou e repetia o nome do garoto, no momento em que o caixão era colocado em um jazigo da família.

Tragédia

Pai, três filhos adolescentes e o namorado de uma das jovens morreram afogados em um riacho, afluente do Rio Batalha, no bairro Rio Verde, zona rural de Bauru, entre a tarde e a noite do último domingo (14).

A principal suspeita é de que um dos familiares tenha se afogado e os demais tenham morrido ao saltarem no rio, em sucessivas e frustradas tentativas de resgate, em área com cerca de quatro metros de profundidade. Segundo parentes, nenhum dos banhistas sabia nadar e não havia mais ninguém no local.

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