O sistema econômico que provocou o crescimento demográfico de forma exponencial nos últimos 50, 60 ou 100 anos foi baseado numa sociedade capitalista de consumo, num método onde as necessidades básicas (alimentos por exemplo) são produzidos por uma parcela mínima da população, utilizando-se tecnologias e produções intensivas em monoculturas, ficando a maioria restante da população destinada às produções tecnológicas e criações de consumo de bens e serviços.
Note-se que não se trata de uma crítica direta ao capitalismo, pois o modelo de produção de bens também foi utilizado nas sociedades ditas socialistas desde as que já implodiram como as que continuam existindo. Este modelo, para sobrevivência da maioria, estimulou uma sociedade de consumo, onde todos tem que consumir mais e mais, para possibilitar o crescimento tecnológico e criar renda para que os não envolvidos diretamente na subsistência diária pudessem se manter na sociedade.
Além do alto crescimento da população fora de qualquer outro padrão animal que já existiu no planeta, o modelo exigiu um enorme aumento de consumo energético per capita gerando um descompasso com os recursos naturais disponíveis, com o meio ambiente e com a própria sustentabilidade do planeta enquanto hospedeiro, gerando uma quantidade absurda de resíduos em todas os seus estados materiais, sólidos, líquidos e gasosos.
Importante lembrar é que esta sustentabilidade não se limita apenas ao esgotamento de reservas naturais que vai acontecer mais breve do que se previa inicialmente dentro desta escala geométrica de consumo, porém, influenciando drasticamente as condições básicas de sobrevivência diária para toda a população mundial. Estas condições básicas incluem a produção de alimentos, disponibilidade de ar puro para respirar e de água potável para beber de forma livre na natureza, tudo isto que está sendo observado de forma avassaladora.
Os limites de habitabilidade do planeta estão perigosamente sendo atingidos e isto pode ser constatado em qualquer informação de cunho sério e científico e a palavra extinção, que antes não era imaginada, até pela prepotência da ser humano que se considerava inexpugnável por um hipotética proteção divina, está sendo cogitada como uma grande possibilidade real.
Talvez não uma extinção total num primeiro momento, mas só para imaginar: qual seria o impacto da redução de forma drástica e trágica, por exemplo, de 50% da população mundial num curto período de 10 anos? Como ficaria a nossa soberba, competitiva e bélica civilização?
Aparecem agora parecendo como esforços inúteis, ações de grandes corporações, tais como as produtoras de carro BMW e a Toyota, que visando atender o “rigor das leis antipoluentes”, prometem abdicar da produção de carros com motor a combustão até 2050, passando a fazer só carros elétricos com baterias, quando que o destino da humanidade pode ser abdicar dos próprios carros e da energia e recursos que demandam a sua construção.
Nesta altura do campeonato talvez o rebaixamento da humanidade já esteja decretado e todos os esforços, embora necessários pela luta pela sobrevivência, tornar-se-ão inúteis num futuro não tão distante. Neste caso, se ocorrer a queda, difícil ter uma chance de retorno numa segunda divisão.