O noticiário político das últimas semanas foi dominado pelas notícias dos imóveis tríplex e sítio em Atibaia e a negativa do ex-presidente Lula, contra todos os indícios de ser o proprietário e até mesmo provas encontradas na Lava Jato, chegando a obter na Justiça liminar para não depor na Promotoria paulista e também até aqui não apresentando nada que corrobore sua exótica alegação.
Ao invés de continuar negando e, principalmente, apresentar as provas prometidas, comprovando que o imóvel não é seu, o petista partiu para a ofensiva e, usando a mesma técnica de desconstrução conhecida nas eleições, e imediatamente os blogs sujos, em grande parte financiados por estatais, publicaram a entrevista de Miriam Dutra, ex-repórter da Globo, que foi amante do ex-presidente Fernando Henrique pelos idos de 1994. Ao apurar as versões, esbarramos necessariamente na sinistra personagem de Rose Noronha, tida como amante de Lula e inevitavelmente comparando os casos e as segundas damas extra-oficiais.
Primeiro FHC não era ainda presidente e o assunto foi tratado, inclusive, tendo o conhecimento de dona Rute Cardoso e também do término do relacionamento, há 22 anos. Além disso, Miriam Dutra não ocupou nenhuma função pública e não existe nenhuma acusação de privilégios a ela, sendo inclusive a sua reclamação que teria sido prejudicada na Globo por isto. A única acusação (negada por FHC) é de que um amigo do ex-presidente teria repassado até hoje dinheiro de FHC a Miriam, ou seja, não existe acusação de nenhum favor ou desvio do erário público. FHC já admitiu o erro publicamente há vários anos, inclusive reconhecendo um filho que depois os exames de DNA comprovaram não ser seu.
Negativo, sem dúvida, e uma grande falha de caráter, no entanto, sem indícios de nenhum crime. Já o caso de Rose Noronha com o “ilibado” Lula já é objeto de inquérito policial, pela venda de facilidades montada no balcão da Rose, na filial da Presidência em São Paulo e ainda considerando que Lula é reincidente no caso Luriam, com a agravante de não ter assumido a filha.
Além disso, Rose era desqualificada para a função e foi paga pelo erário público, ou seja, por mim e por você, leitor. Rose viajou por mais de 100 vezes na comitiva oficial de Lula, sem aparecer nos documentos do voo e ainda conseguiu nomeações de amigos inidôneos que, usando o nome de Lula, fizeram negociatas e atos ilegais que estão sendo apurados por processo criminal que corre na Justiça.
Lula nunca falou sobre o assunto e, perguntado, trata o assunto como particular, mesmo Rose tendo sido paga pelo erário público. Como sempre, não sabe de nada e nunca admitiu e até na falha temos diferenças enormes entre FHC o estadista e Lula, o caudilho populista, na forma de tratar a coisa pública. A Polícia Federal, estranhamente, não foi convocada pelo ministro Cardoso a agir no caso escabroso de Lula, mas já foi solicitada a investigar no caso FHC, atestando o “modus operandis” dos petistas com os assuntos de Estado.