A chegada de José Theodoro de Souza ao sertão é coberta de dúvidas. O memorialista Bruno Giovannetti atribui o ano de 1855 quando o desbravador vem já com o plano traçado de ocupar as terras livres, mas o registro de posse tem que constar desde 1847 para tê-las livres do patrimônio devoluto da província de São Paulo.
O historiador de Botucatu João Carlos Figueiroa cita que, até antes de 1850, a posse das áreas eram registradas na igreja matriz, depois disso fica mais difícil esse registro.
De acordo com o livro da historiadora Maria do Carmo Sampaio Di Creddo sobre propriedade de terra no Vale do Paranapanema, José Theodoro fica impossibilitado por lei de legalizar as terras. Ele declarou, então, que perante ao vigário de Botucatu era dono de uma posse desde 1847 e que estava fazendo o registro em 1856, conforme o regulamento de 1854. “A gleba de José Theodoro de Souza se estendia por dez léguas, da barranca do Paranapanema até o espigão divisor com o Rio do Peixe, ainda desconhecido, e 25 léguas do Rio Turvo do Ribeirão Figueira, cujas nascentes ficavam no rumo do mencionado espigão. Para assegurar seus direitos de posse, voltou a Minas Gerais a fim de trazer familiares que se dispusessem a acompanhá-lo para o Paranapanema,” consta.
Recentemente, em 2004 em Rancharia, cerca de 30 pessoas alegaram ser herdeiros e descendentes de José Theodoro de Souza e invadiram a fazenda Bartira.
A dona de casa Teresa da Silva Gonçalves, “representante dos herdeiros”, deu entrevista à Agência Folha dizendo que Theodoro teria chegado ao oeste paulista em 1847 a mando do imperador dom Pedro 2º para saber se tinha civilização. O pioneiro encontrou apenas índios e comunicou o fato ao imperador, que pediu que ele levasse sua família para habitar a área. Em troca teria ganho as terras.
Segundo Celso Prado, o pioneiro chegou ao sertão para a posse de suas terras em junho de 1851, de imediato à Guerra ao Índio, por ele liderada e vencida, sob as ordens do Capitão Tito Corrêa de Mello, fazendeiro, político e mandatário botucatuense.
De acordo com Figueiroa, Tito foi deputado distrital por três mandatos na Província de São Paulo até ser substituído na liderança por Ataliba Leonel, de Piraju.
O desbravador morreu em 1875, aos 70 anos, mas as terras teriam sido griladas, reclamação que vem sendo feita até hoje por herdeiros. As transferências das propriedades foram feitas depois de 1878, três anos após a morte do pioneiro. Theodoro ajudou a nascer os povoados de Avaré, Lençóis, Santa Bárbara do Rio Pardo, Timburi, São Manuel, São Pedro do Turvo entre outros.
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| Luiz Carlos de Barros | ||
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