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O consumo de água apresentou ligeira redução entre 2013 e este ano em Bauru. Os números, do próprio Departamento de Água e Esgoto (DAE), apontam que a população bauruense manteve praticamente a mesma quantidade de consumo, com pequena diminuição, mesmo com o crescimento do número de ligações – aumento também considerado dentro da normalidade pela autarquia.
Em 2013, o consumo total de água na cidade foi de 1.906.317 metros cúbicos durante todo o mês de janeiro. Este valor cresceu em dezembro do mesmo ano e janeiro de 2014 (na casa dos 2.200.000 metros cúbicos), apresentou redução no final de 2014 e janeiro de 2015 – já após o período de racionamento. Em janeiro deste ano, o consumo foi menor do que o de janeiro de 2013. No mês passado, contudo, parte da cidade passou quase uma semana desabastecida por conta da enchente do Rio Batalha, que comprometeu o funcionamento das bombas da lagoa de captação, o que pode ter influência sobre o número final. Do meio de 2015 para cá, a população viu ainda a conta chegar mais cara, com reajuste de 35%, uma vez que a energia elétrica usada pela autarquia e os insumos em geral tiveram forte reajuste no período.
O diretor da Divisão de Produção e Reservação do DAE, Heber Soares Vieira, considera os números normais ao longo destes três anos. “O crescimento da quantidade de ligações foi pequeno (passou de 125 mil para 131 mil), não é algo tão expressivo, e se dividir a quantidade de água que deixou de ser consumida pelo número de ligações, não dá nem um metro cúbico por mês (equivalente a mil litros). Não dá para dizer que é algo muito expressivo, considerando que nessas ligações não estão só casas, mas também empresas, que consomem um volume bem maior”, reitera.
Para Vieira, é prematuro afirmar que a população está economizando água. “Uma variação pequena como esta pode estar relacionada a vários fatores, como a temperatura, que faz as pessoas consumirem mais ou menos água”, cita.
| Alex Mita |
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| Para Heber Soares, crise econômica forçou a reduzir o consumo |
Desaceleração
A retração da economia desde 2014 pode ter um peso importante na estabilização e redução do consumo de água em Bauru. O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) acredita que desde o ano retrasado dois fatores colaboraram para que menos água fosse utilizada. “Em 2014 tivemos um período de seca prolongado em várias partes do Brasil, inclusive aqui em Bauru, e a mídia reforçou bastante a importância das pessoas consumirem menos água, até porque chegou a faltar, nós vivemos essa situação com o Rio Batalha em 2014. Isso é um ponto. Outro aspecto é o próprio aumento do valor da energia elétrica. Com a conta de luz mais cara, as pessoas acabam sendo forçadas a economizar água, tomando banhos mais rápidos, usando menos a máquina de lavar”, acredita o chefe do Executivo, que é também ambientalista.
Na visão do prefeito, a crise econômica do País deve forçar a uma redução ainda maior. “Com a alta da energia e mais pessoas desempregadas, é natural que haja uma diminuição do consumo. Empresas que também consumiam mais água estão reduzindo”, pondera.
Contas do DAE
A previsão orçamentária do Departamento de Água e Esgoto (DAE) para 2016 é de R$ 130 milhões em arrecadação. Contudo, isso pode sofrer impacto se o consumo seguir em queda. “O DAE fez um grande investimento nos últimos anos em frota e na abertura de poços. Mas a quantidade que a população consome não aumentou, até diminuiu. Esse será um desafio para a autarquia. Em um futuro próximo, talvez seja necessário rever os investimentos. E a alta da energia elétrica teve um peso grande para o DAE”, relata Rodrigo Agostinho.
“Estamos em fase de construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), com R$ 100 milhões em caixa no Fundo de Tratamento. Esse dinheiro tem que permanecer lá até que a obra seja concluída, até por garantia, caso em algum momento o repasse do governo federal apresente algum problema. Quando a ETE estiver pronta, pode-se abrir um debate do uso de parte dessa verba na melhoria do sistema de água. E a própria tarifa do DAE pode voltar-se menos para o esgoto e mais para a água, para melhorias na rede”, acredita o prefeito.
Desperdício
O Plano Diretor de Águas indicou que 48% da água produzida em Bauru acaba sendo desperdiçada de alguma forma – a produção mensal está na casa dos 3,5 milhões de metros cúbicos. Reduzir este percentual será necessário para reequilibrar a situação. Além do desperdício aparente, com vazamentos – decorrentes de uma rede antiga e da pressão da água – existe o problema da aferição dos hidrômetros, que muitas vezes estão obsoletos e registram uma quantidade menor de água do que a realmente consumida nos imóveis. Para isso, o DAE pretende adquirir 20 mil hidrômetros e fazer a substituição gradualmente, porém por restrições econômicos isso não tem prazo para ocorrer. O combate aos vazamentos também poderá ser intensificado à medida em que a autarquia tenha mais recursos humanos e materiais. “Muita gente se aposentou nos últimos anos no DAE e ainda não conseguimos repor totalmente”, destaca o prefeito Rodrigo Agostinho. A Estação de Tratamento de Esgoto (ETA) também precisa ser reformada, pois a tecnologia utilizada no local já está obsoleta e contribui para o desperdício no tratamento. Em relação à questão ambiental, o prefeito acredita que a redução do consumo é positiva. “Por esse aspecto é algo bom. As pessoas aos poucos estão tendo consciência que a água é um bem finito e um recurso que tem que ser bem utilizado”, completa.
Longe do ideal
Na opinião do engenheiro químico e ambiental Carlos Alberto Ferreira Rino, que é também mestre em meio ambiente, a crise econômica está forçando a população a gastar menos em vários setores, entre eles no consumo de água. “Mas não é possível afirmar que se trata de uma consciência ambiental. Se fosse assim a gente não teria tanto lixo jogado nas ruas ainda. O que acontece é que não só a crise hídrica, mas principalmente a econômica, forçou as pessoas a reduzirem o consumo, pois isso impacta diretamente nas finanças”, aponta Rino.
Para o engenheiro, é importante observar também que o desperdício de água é alto, não só em Bauru, mas no País todo de uma maneira geral. “Em nações desenvolvidas o desperdício é menor, na casa de 10% a 20%. No Brasil a gente sabe que tem regiões em que chega a 60%, um número muito elevado. Em Bauru, onde a taxa está em 48%, é preciso que as ações para melhorar esse índice aconteçam, porque caso contrário vai captar muita água, mas vai perder muito também”, destaca.
FALA POVO
Você reduziu o consumo de água nos últimos anos?
“Tenho economizado sim. A gente tem filho, então tem que pensar no futuro, teve um período grande de seca, agora melhorou com essas chuvas, mas tem que economizar. Além de que a água está mais cara. Procuro reutilizar água da máquina de lavar roupa e banhos mais rápidos”
Tamiris de Carvalho, 25 anos, esteticista
“Na minha casa a gente tem consumido bem menos, até pelo problema da falta de água que vem acontecendo nos últimos anos. Mas a gente ainda vê muito desperdício, vizinhos que lavam calçada, até o meio do asfalto, lava o carro. Temos procurado diminuir o tempo do banho e lavar menos o quintal”
Jéssica Maciel Boico, 25 anos, analista financeira
“Nós estamos em uma crise mundial de água, e estamos procurando economizar. Em casa o racionamento que a gente faz é com o uso da descarga, deixa usar duas ou três vezes para dar a descarga, é uma maneira de gastar menos”
Estevão Nascimento, 26 anos, gerente comercial
“Eu tenho consumido mais água. A tecnologia faz com que a gente gaste mais água, com máquina de lavar por exemplo. O banho demora mais, então não estou conseguindo fazer economia, pelo contrário, aumentou”
Leandro Seabra Cabral, 28 anos, caminhoneiro
“Estamos consumindo menos. A gente guarda mais água, toma banhos mais rápidos e lava menos o quintal, procura usar mais o balde do que a mangueira. Eu trabalho em um prédio, e lá também reduzimos a quantidade de água consumida”
Marciel Francisco dos Santos, 32 anos, zelador
“Eu gasto a mesma coisa. Eu fico pouco em casa, trabalho o dia inteiro, então o consumo em casa é pequeno. Acabo gastando um pouco mais para lavar o trailer (de lanche), e no banho, mas acho que a gente não gasta tanto assim”
Fernando Vieira, 28 anos, vendedor

