| Aceituno Jr. |
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| Vera Cristina Spinelli, como muitos, nasceu no período da manhã do dia 29 de fevereiro mas foi registrada em 1 de março |
Eles são do signo de peixes, mas o dia do nascimento coincidiu com o 366º dia do calendário que utilizamos para determinar a volta completa da Terra ao redor do sol. E, por causa dessa forma de contar o tempo utilizada pelo calendário gregoriano, este “dia extra” é incluído sempre no final do mês de fevereiro que, como neste ano, terá 29 dias. Eis que nesta segunda-feira é o aniversário dos que nasceram em anos bissextos.
Como a regra de registro de nascimento no Brasil não permite essa situação, entretanto, os nascidos em ano bissexto têm em suas certidões inscritos ou o dia anterior ou o posterior a 29 de fevereiro. Foi assim com Vera Cristina Spinelli. “Eu fui registrada no dia 1º de março, mas nasci no período da manhã de um dia 29 de fevereiro, há algumas décadas”, fala com humor.
Para ela, a data em si não muda em relação à comemoração do aniversário. “Eu comemoro no dia 1ª de março mesmo e as pessoas que convivem comigo ou me conhecem também já se acostumaram com isso. Apesar disso, gosto da brincadeira de fazer ou ter motivo para duas datas de aniversário de quatro em quatro anos”, menciona.
Para aproveitar a forma de contar o tempo definida pelo calendário que utilizamos, Vera Spinelli menciona que até vai trocar a fórmula. “Acho que vou passar a comemorar aniversário só em dias de 29 de fevereiro agora”, sorri.
Ela conhece pouquíssimas pessoas que também nasceram em ano bissexto. “Olha não lembro aqui de memória não. Tem pouca gente mesmo. E pra não passar em branco eu vou aceitar presentes nos dois dias”, completa. Spinelli, na verdade, complementa que o fato serve mais de lembra, folclore, comentários, do que outra coisa. “Acaba sendo algo diferente, uma lenda para alguns. Mas é só uma questão de calendário”, finaliza.
A filha Ana Cláudia diz que sempre esquece que a mãe nasceu em dia 29. “Acostumamos tanto a comemorar ou cumprimentar ela no dia 1 de março que até esqueço. Acho que é por isso, pela data especial, que minha mãe é tão pra cima, alto astral, com energia”, indica. Estudante universitária em Apucarana (PR), ela lamenta não estar em Bauru na data. “Fico aqui, tanto no dia 29 quanto no 1 de março, que ela tenha muitos bissextos para comemorar pela frente”, fala.
Alias, tão incomum quanto encontrar pessoas que nasceram no dia 29 de fevereiro é localizar quem saiba explicar a existência da data. Berenice de Moraes Pedroso contou, ao telefone, que levantou a informação pela internet. “A pesquisa mostra que a Terra demora um certo tempo para dar a volta completa ao redor do Sol. No calendário comum sempre tem essas horas excedentes que a cada quatro anos formam um dia a mais”, menciona.
O importante é que na casa de Berenice, entre ou saia ano bissexto, sempre se prepara pão de mel, banhados em chocolate claro. “Sou a sétima filha e minha mãe não me batizou. Minha irmã mais velha (já falecida) sempre me cumprimentou no dia 29. A maioria cumprimenta no dia 1 de março mesmo. Não conheço mais ninguém que nasceu em dia 29 de fevereiro”, recorda.
Para ela, como para a maioria, a data especial acaba sendo motivo simbólico de alegria e brincadeiras. “E eu não perco, claro, a oportunidade de brincar com esse calendário. Meu marido ainda diz que eu faria 15 anos hoje por essa data. O que sei é que mereço dois presentes, um no dia do nascimento e outro no dia do registro, que é 1º de março. Vou explorar mais isso com os conhecidos”, conclui em sorriso.
E o que significa, por derradeiro, o dia 29 de fevereiro? Berenice resume: “é mais uma forma de contar o tempo. Uma forma diferente apenas”.
