Neste domingo, no Brasil e em Bauru, estarão ocorrendo manifestações pelo impeachment da presidente Dilma. As manifestações são legítimas e democráticas e o impeachment não é golpismo porque está previsto na Constituição Federal. No entanto, precisa que seja praticado crime de responsabilidade cometido pela presidente da República e que poderá ocorrer se for confirmada, com provas, a delação premiada do senador Delcídio Amaral.
As pedaladas fiscais realmente são um crime de responsabilidade que praticou a presidente, no entanto, governadores e prefeitos praticam também. Então se torna um argumento jurídico polêmico que, se derrubar a presidente, deve ser estendido aos demais governantes. Não sei se o Congresso vai optar por este caminho. Embora Lei deva ser cumprida porque, se não for boa ou complexa, que mude-a!
A corrupção é igual mosquito da dengue e deve ser combatida a partir do nosso quintal e da vizinhança. Porque, neste momento, pode-se cassar a Dilma e o PT vai pagar um preço alto, mas senão mudarmos a cultura da corrupção que reina na nossa sociedade, daqui a alguns anos novamente estaremos pedindo o impeachment de outro presidente e defenestrando partidos e políticos corruptos. Mesmo porque os políticos e os partidos não são ETs vindos da galáxia de Andrômeda, e simplesmente brotam do meio da nossa sociedade.
Os organizadores da manifestação em Bauru, em matéria do Jornal da Cidade no sábado (12/3), disseram “o foco agora é a saída de Dilma e que os protestos precisam ser realizados continuadamente após eventual queda da presidente... E que a bandeira é contra a corrupção em todos os sentidos, não apenas dentro do PT”... Concordo, e seria positivo se tivessem futuras manifestações contra a mitológica reforma da Praça Rui Barbosa, contra a máfia da merenda escolar no Estado de São Paulo e pela não impunidade daqueles que desviaram milhões do Hospital de Base de Bauru, entre vários casos de corrupção.
E a presidente Dilma tem que lembrar uma estrofe da música “Para Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré, que diz que “esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer”... E pensar seriamente na renúncia.
PS - 3 mil crianças em Bauru ameaçadas por causa de falta de verba para creches por parte da Secretaria Municipal de Educação... Diga-se de passagem que foi a mesma secretaria que pagou aditivos milionários para a empresa Lacon e que cuja denúncia do Ministério Público por improbidade administrativa virou ação civil pública na 2ª Vara Pública da Fazenda e tornou réus o prefeito, três secretários municipais e a própria empresa...