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Entrevista da semana: Cezar Camello de Aguiar

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Um homem de muitas mudanças e recomeços, sendo assim, muitas histórias para contar. Entre elas, as passagens pelos microfones e palcos dos programas de auditório montados pela PRG8 - Bauru Rádio Clube. Na Entrevista da Semana de hoje, Cezar Camello de Aguiar.

“Os recomeços exigem doses de concentração mental e psicológica muito grandes. Nem sempre as coisas acontecem como desejamos, mas tudo nos traz maturidade. Por toda a minha vida, eu tive recomeços que exigiram de mim essa concentração. Os caminhos nem sempre são claros, mas as tentativas também nos levam a descobrir desafios. Em cada recomeço pude constatar a presença de Deus em Jesus Cristo”, avalia.

E pelos caminhos de Cezar, que também foi titular da antiga Secretaria de Projetos Comunitários (Seprocom), muitas alegrias e sonhos realizados. Entre eles, a gravação de um LP com as filhas e a geração da sua própria família. Confira.   

Jornal da Cidade – O que essas fotos de um jovem cantor no palco revelam?  
Cezar Camello de Aguiar –
Eu cantei muito quando jovem. Não digo que fui profissional, mas gravei até um LP, em 1967. Em Bauru, entre 1955/56, eu fiz parte do elenco da pioneira PRG8 - Bauru Rádio Clube, cantava nos programas de auditório. Meu mano, Hélio de Aguiar, comandava os shows pelos bairros da cidade (estamos preparando uma homenagem à memória do Hélio). Eu cantava na Vila Falcão, Bela Vista, Centro da Cidade.... Eu era um metido a cantor (risos). Em 1956, participei do concurso “A mais bela voz colegial de Bauru”, patrocinado pela Tilibra. A Édna Mânfio ganhou na categoria feminina e eu, na masculina.   

JC – Imagino que seu irmão Hélio tenha sido inspiração para o senhor.
Cezar –
Sem dúvida. Meu irmão era do rádio e eu estava sempre com ele. Comecei no rádio fazendo locução. Eu fazia a apresentação de um programa chamado “A hora evangélica”. Depois, fiz um programa só meu com música. Eu fazia algumas coisas comerciais e cantava, ao vivo. O programa durou cerca de um ano. O Hélio sempre foi uma figura muito artística. Ele mostrou Bauru para o Brasil quando foi para São Paulo, em 1950. Trabalhou na Bandeirantes, Record, Tupi, TV Excelsior... Mas, antes disso, ele trabalhou aqui. Foi, inclusive, um dos diretores da TV Bauru, quando João Simonetti a instalou. Esse clima de rádio mudou completamente a minha história.   

JC – Você trabalhou no rádio durante quanto tempo?
Cezar –
É preciso dividir essa história em duas partes. A primeira fase, quando fui cantor e locutor, durou até o meu casamento, ou seja, até os meus 21 anos de idade. Casei-me em 1959 e deixei a vida artística de lado. Foi uma das condições de minha noiva para se casar comigo (risos). Naquele tempo, eu tinha cabelo e o apelido de “coqueluche dos brotos” (risos). Eu optei pelo casamento.

JC – E, com essas escolhas, sua vida profissional seguiu por quais caminhos?
Cezar –
Eu já trabalhava na CPFL. Mas vou contar sobre o meu primeiro emprego. Eu tinha 16 anos e comecei entregando medicamentos de bicicleta e, depois, fui trabalhar em uma livraria da quadra 5 da Batista. Eu fazia despachos de saquinhos de padaria com uma carrocinha. Bom, mas eu me casei e minha profissional foi cheia de mudanças. Fiz muita coisa nessa vida.

 

JC – Por exemplo?
Cezar –
Eu fui transferido da CPFL para Presidente Alves. Saí da CPFL e fomos para São Bernardo do Campo, para minha esposa lecionar e eu fazer faculdade de teologia. Eu sempre gostei de pregar. Naquela cidade, trabalhei no setor automobilístico, em várias montadoras. Eu tive ajuda do meu irmão também lá e fiz muitas amizades, o que me abriu muitas portas. Na Volkswagen, onde trabalhei até 1981, fui transferido para Bauru. Vim ser representante comercial. Quando sai da Volkswagen, gerenciei a filial da fábrica de fogões Continental.

JC – Quando o senhor voltou para o rádio?
Cezar –
Em 1984. Comecei fazendo comercial para essa fábrica de fogões. Em seguida, fiz um programa com patrocínio da Continental, na Rádio Bandeirantes. Essa segunda fase durou até 1992. Fiz de tudo: programa de variedades, jornalístico, de serviço... Em 1986, eu tinha um programa chamado AM (de Associação de Moradores) em AM, que me projetou na política. No governo do ex-prefeito Tuga Angerami, eu assumi a Divisão de Fiscalização. No governo do Izzo Filho, fui convidado a ser titular da Secretaria de Projetos Comunitários (Seprocom). Eu era do PSDB e, na época, o partido disse que eu precisava sair da administração ou do partido (eu fui à Brasília na inauguração do PSDB com os companheiros que estavam formando o partido em Bauru). Fiquei na Seprocom para servir a minha cidade. Nessa época, trabalhamos muito para divulgar importantes avanços sociais, como o Código de Defesa do Consumidor e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

JC – Por que a faculdade de direito?
Cezar –
Eu estava vendo o tempo passar e ainda não tinha curso superior. Decidi cursar direito quando ainda trabalhava na Volkswagen. Estudei na Instituição Toledo de Ensino (ITE) e me formei em 1979. Fiz o curso com muita dificuldade porque eu viajava muito. Hoje, ainda trabalho como advogado com dois colegas: Josias de Sousa Rios e Rodrigo Tambellini Sanches.

JC – Um sonho realizado.
Cezar –
Um deles foi a gravação de um LP: “Eu te amo, Senhor”. Gravei com três das minhas filhas cantando. São canções cristãs. Duas delas são infantis e minhas filhas participam. Eu tinha 31 anos de idade.

JC – O senhor sempre foi um homem religioso?
Cezar –
Meu pai gostava de tocar violão. Ele era um intelectual autodidata e pregava muito bem. Eu cresci no ambiente cristão, e gosto de dizer que não sou religioso, porque vejo a religião como o ópio do povo. Eu sempre tive muita fé, o que é diferente. O que temos que fazer é viver uma vida cristã, sem rótulos. Porém, por causa do trabalho, eu nunca concluí o curso de teologia. Mas é algo que não descarto.

JC – Cezar por Cezar.
Cezar –
Sou um homem realizado. Quero ver meus netos se desenvolverem e meus bisnetos nascerem. A família para mim sempre foi tudo. Quando menino, eu me espelhava na minha família. Meus pais tiveram 10 filhos. Quando eu tinha 16 anos, eu pedi para Deus uma família. O que eu mais queria na vida era ter uma família nascida de mim. Ele me deu. Hoje tenho 4 filhas e 12 netos. A alegria é infinita.


Perfil
Cezar Camello de Aguiar
Tem 77 anos e nasceu em Lençóis Paulista
Hoje, cantar e tocar violão são hobbies
Entre as canções, as românticas são as preferidas

É casado com Iza Nunes de Aguiar há 56 anos
Tem um quarteto de filhas: Elaine, Miriam, Liliam e Celi
Homem de fé tem a Bíblia na cabeceira
Nota 10: Para os que falam a verdade, mesmo que tenham prejuízos
Nota 0: Aos que não assumem os seus próprios erros
E-mail: camello@adv.oadsp.org.br

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