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Transparência não é opção e sim obrigação

Ralph Ribeiro
| Tempo de leitura: 3 min

Seria cômico, se na realidade não fosse trágico, a manchete estampada no Jornal da Cidade do dia 8 de março de 2016, sob o título “Pressão reduz custo do chorume”.

Esta manchete não é a primeira, e com certeza não será a última, informando sobre os descuidados caminhos pelos quais o poder público municipal envereda com relativa frequência. E a Emdurb parece ser esta entidade mais descuidada com as questões licitatórias, que queremos crer sejam de pura má gestão mesmo.

Vimos na semana passada neste mesmo diário que a Cetesb multou a Emdurb por causa do aterro sanitário, que tem por sua vez uma história nada gloriosa com relação à sua gestão (novamente...), que parece não primar pelas questões técnicas, mas parece optar pra deixar como está para ver como é que fica. E isto com certeza não é prerrogativa apenas de Bauru: está disseminada por todo o Brasil, e sempre prejudicando a população que trabalha e paga seus impostos corretamente.

Mas temos que observar que os paradigmas estão mudando, mudança essa lenta, por ser estrutural, mas de modo irreversível, e os entes públicos tem que se adequar a isto, obrigatoriamente.

Como aceitar que um gestor público, no caso o presidente da Emdurb, diga em reportagem que reputa à divulgação do fato na mídia (a denúncia de um suposto superfaturamento) para que o preço fosse reduzido. Assim fosse, era melhor o diretor do JC dirigir a entidade e assim dando publicidade a todo e qualquer ato fazer com os preços sejam aqueles mais justos, tanto para quem contrata quanto para o contratado.

Às vezes quer nos parecer que a administração pública está reinventando o Brasil, com as Capitanias Hereditárias, aonde uma vez detentor de um cargo isto parece vitalício, independente da atuação deste gestor, algo surrealista.

Mas a questão da publicidade que revela bem as condições desse caso está intimamente ligada, ou como queiram, é a mesma coisa, do que a transparência tão necessária principalmente na gestão da coisa pública.

Aqueles que ocupam cargos públicos neste momento, cargos estes transitórios, tem seus salários pagos pelo contribuinte, e este pagamento não está aí a toa, em troca a população exige que sejam tomadas todas as medidas para que seu dinheiro seja o mais bem aplicado.

E se não fosse a publicidade dada pelo JC a um clamor popular toda a população bauruense teria pago uma conta com 1 milhão a mais?

A Bauru Transparente (Batra), ONG fundada em 2009 e já com alguma história (sim com “h”, pois muitas de nossas ações ficarão como marca para a história do município) tem como foco a transparência nos atos e na gestão da coisa pública, e não achem que foi fácil que a Prefeitura Municipal colocasse à disposição da sociedade aquilo que a Lei Federal mandava, em termos de transparência.

Mas esta transparência deve ser exercida por todos nós nos meios que frequentamos porque não podemos ter acesso às informações. Um exemplo que pode ilustrar bem isto é o fato de sermos associados de um clube porque não saber como estão exatamente as finanças do clube, aonde foi gasto dinheiro, de que forma e o motivo. O restaurante do meu clube tem dado lucro ou prejuízo. E isso podemos incorporar no nosso dia a dia. Se não conseguirmos fechar o buraco na rua de nossa casa, quanto mais se dirá de fechar o buraco lá em Brasília...

Mas, enfim, pegando este exemplo mais uma vez surrealista da manchete do JC devemos buscar as soluções para as questões que nos afligem de maneira objetiva, clara e com transparência; dizer “foi mal”, mas agora eu corrijo: já não cola mais.

O autor é engenheiro e presidente da Bauru Transparente (Batra)

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