| Douglas Reis |
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| Bitombokele Lunguani e Celso Salles são os responsáveis pelo processo de expansão da religião |
De origem africana, a Igreja Kimbanguista será implantada no Brasil e Bauru servirá como centro tecnológico da instituição. A filosofia kimbanguista é uma prática religiosa cristã fundada por Simon Kimbangu no então Congo Belga, em 1921. Em 93 anos de existência, acumula mais de 20 milhões de adeptos nos cinco continentes (leia mais abaixo).
A igreja está em processo de expansão e o objetivo é começá-lo pelo Brasil, conforme adiantou o secretário e o presidente da instituição, Celso Salles e o angolano Bitombokele Lei Gomes Lunguani, respectivamente. Este último, inclusive, foi destacado para iniciar os trabalhos de amplificação da religião, começando por Bauru.
“Bauru é um centro muito estratégico para desenvolver o mecanismo de expansão. Aqui, por exemplo, já foi implantada a nossa rádio web”, observa Bitombokele.
Ele explica que o desenvolvimento tecnológico vai ao encontro a uma das doutrinas pregadas pelo kimbanguismo, denominada como Renascimento Africano Moderno. Anexado a este conceito, está o Mandombe: esquema de desenvolvimento da civilização moderna africana.
“Na regra do Mandombe, a velocidade e transmissão de informação é o que determina o desenvolvimento da tecnologia. Nós não temos essa capacidade de rapidez a partir de Angola e, por isso, escolhemos Bauru para ser a base da nossa tecnologia no mundo todo, justamente porque encontramos auxílio do Celso (Salles), que já atua nessa área”, explica Bitombokele.
Associações
De acordo com Celso Salles, diferentemente de outras religiões, a Igreja Kimbanguista não vive de doações. “São criadas associações, que promovem parcerias para gerar recursos. O dinheiro é utilizado para construir escolas, universidades e hospitais para auxiliar o povo”, frisa.
De acordo com Celso, não há previsão de inauguração da igreja no Brasil. “Ainda estamos avaliando as cidades. Bauru, além de ser o centro de tecnologia, poderá ainda contemplar uma das nossas igrejas”, finaliza.
Como tudo começou...
No meio do colonialismo africano de dimensões próximas ao genocídio, em 1921, o papá Simon Kimbangu vivenciou o chamado de Deus ao ministério da cura e da pregação, conforme o histórico da crença.
Considerado profeta, a atividade religiosa que ele realizava, principalmente na cidade de Nkamba (a “Nova Jerusalém”), se caracterizou por fenômenos fortemente carismáticos - havia relatos até de casos de ressurreição.
O tempo de pregação de Kimbangu durou apenas de março a setembro daquele ano, quando o religioso entregou-se às autoridades belgas. Condenado à morte por ameaça à segurança pública, sua punição foi atenuada para prisão perpétua. Ele morreu no mês seguinte.
Foi então que, inspirado nas ações de Kimbangu, surgiu, em Congo, a Igreja Kimbanguista, que prega o cristianismo com base na Bíblia.
