O Brasil atravessa momentos de turbulência política, com o avanço das investigações da Operação Lava Jato. Diariamente somos surpreendidos com sucessivas e estarrecedoras revelações, incriminando autoridades públicas que deveriam zelar pela coisa pública, mas que na verdade dela se serve. O escândalo que está levando a Petrobras à falência (o roubo foi de 50 bilhões de reais!) deixa a Nação perplexa, quem deveria zelar pelo nosso dinheiro é quem mandou assaltar a República.
A classe política está totalmente desmoralizada, Dilma, Lula, Cunha, Renan, Aécio, Delcídio, Mercadante e tantos outros, todos se merecem, são farinha do mesmo saco, dedicam-se a armar firulas legais para obstruir o processo, intimidar testemunhas e desqualificá-las. Servem-se de tática arcaica e corroída, os escândalos falam por si, um ex-presidente que se arvora como paladino da moralidade e o que se constata é que o mesmo dedica-se à promiscuidade política e administrativa.
Contratou mudança para ser levada a um sítio que não lhe pertence, e em meio às “tralhas” são encontradas pela Polícia Federal obras de arte avaliadas em milhões de reais que eram do acervo do Palácio da Alvorada, ou seja, patrimônio público do qual se apropriou “por engano”, faqueiro de ouro, presente da rainha da Inglaterra ao Brasil, que também ornamentava o sítio que “não lhe pertence”. Curiosamente, dentre os pertences que “não lhe pertencem”, acha-se também o molho de chaves do consagrado minifúndio de renomada notoriedade, devidamente guardado, no apartamento que lhe serve no ABC.
O país faz negócios internacionais, Venezuela, Cuba, Bolívia, Angola, etc, obras de engenharia financiadas pelo BNDES que nunca serão pagas. No caso de Angola, por exemplo, “vendemos” um kit, as obras de engenharia, operação casada, contrato com a Odebrecht, mais a assessoria do marqueteiro oficial da República nas “eleições” para a recondução do seu ditador de plantão, sendo que só esta assessoria foi “vendida” por 70 milhões de dólares, preço que o sr. João Santana superfaturou em 14 vezes ao valor cobrado do PT, nas eleições de 2014.
Para fechar com chave de ouro esta operação, incluiu-se a famosa palestra do ex-presidente, contratado através de seu “prestigiado instituto”, ao preço de 200 mil dólares cada, e das quais não se conhece qualquer conteúdo. Estamos diante da forma mais descarada de lavagem de dinheiro “que nunca antes neste país”, tínhamos assistido. No caso de Cuba, o financiamento das obras do Porto Mariel, também seguiram o mesmo roteiro, com a diferença que não foi necessária a inclusão dos serviços do próspero João Santana, em razão de que por lá, este negócio de eleições democráticas e marketing político, não fazem parte dos costumes locais.
O Congresso Nacional, salvo honrosas exceções, é habitado por “ratazanas” que se espalham em seus tapetes, azul e verde, raposas felpudas alimentadas pelo despudor político e administrativo, o noticiário é farto, até o filho de ex-presidente foi pego negociando medidas provisórias de interesse das montadoras de veículos. Tudo negado pelos envolvidos, descaradamente. O povo está fazendo sua parte, foi às ruas no domingo 13/03 e deixou claro seu inconformismo. O movimento foi essencialmente popular, todas as classes sócias estiveram presentes, em São Paulo no mínimo 2 milhões de pessoas invadiram a av. Paulista e todas as demais ruas ao seu redor, era uma massa compacta que se estendia até a av. Bernardino de Campos/Vergueiro.
Garanto, dois milhões de pessoas, eu inclusive, reunidas ordeiramente clamando por respeito, contra a corrupção e desprezando políticos e seus respectivos partidos, uma movimentação pela redenção do Brasil, contra a corrupção! A reação do governo foi de desmerecer o acontecimento, ou seja, não querem ver ou ouvir o clamor das ruas e para reagir ao inédito acontecimento, divulga-se que o ex-presidente que está sendo denunciado em inúmeros processos, popularmente dito réu, é o novo ministro chefe da Casa Civil, para adquirir foro privilegiado, fugindo da jurisdição do Juiz Sergio Moro, para que o Supremo Tribunal Federal lhe dê a guarida constitucional.
Esta insólita decisão é o reconhecimento de que o desgoverno Dilma acabou e que a ex-presidente voltará a lhe prestar vassalagem. Em decisão de 28/10/2010, o Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária da Ação Penal 396, relatada pela ministra Carmen Lúcia, deliberou que quando o cargo (ministro, in casu) com foro por prerrogativa de função é utilizado como subterfúgio para deslocamento de competências constitucionalmente definidas, é de ser reconhecida a fraude e mantida a competência do juízo original.
Ademais, trata-se também de caso de obstrução de justiça, apoiado pelo jurista Modesto Carvalhosa, com a clara intenção de provocar mais um incidente processual, evidenciando ainda uma insistente Litigância de Má Fé. Estamos diante do maior escárnio “jamais visto neste país”, depois da maior manifestação popular da história republicana. Chega de Impunidade, vamos resgatar a República, hoje entregue às ratazanas de plantão. Procura-se um Estadista!
Restaure-se a moralidade já!
O autor é advogado