Cultura

Do circo em casa à novela

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos: Divulgação
Emer (à esq.), diretora Ana Paula Guimarães, Eliane Giardini (Anastácia) e Maria Zilda Bethlem
Emer Lavinni “pega carona” no cenário da novela global “Êta Mundo Bom!”: atento às cenas; veja mais fotos abaixo
Emer Lavinni com o ator Marco Nanini antes da gravação 

Quem encontra com Emer Lavinni pelos corredores dos estúdios da TV Globo (Projac) no Rio de Janeiro, hoje como assistente de direção do consagrado diretor Jorge Fernando na novela das 18h, “Êta Mundo Bom!”, não imagina a batalha que foi chegar ali. Tudo começou aos 10 anos, época em que tinha seu próprio “circo” no quintal da casa de sua avó, em Pirajuí, cidade natal.

Em meio a palhaçadas, mágicas e trapézio (montado em pé de goiaba), Emer descobriu a paixão pela arte, que cresceu ainda mais após ganhar câmera do pai: o pontapé inicial na produção de “filminhos” com amigos.

Cursou o ensino médio em Bauru, onde teve apoio do professor Paulo Neves para fazer filme com os alunos de teatro. Depois de estudar cinema em São Paulo, decidiu se aventurar no Rio de Janeiro.

Foi na Cidade Maravilhosa que Emer, hoje com 31 anos, se consolidou como diretor de peças teatrais e viu a carreira na direção cinematográfica despontar após lançamento de seu filme “MuDanças”.

Jornal da Cidade:  Quando e como você descobriu a paixão pela arte no geral?
Emer Lavinni: Acho que desde sempre. Com 10 anos, em Pirajuí, eu já tinha um pequeno circo montado no quintal da minha avó. Tinha picadeiro para o palhaço, mágico e até trapézio num pé de goiaba. Vendíamos a pipoca que minha avó fazia e, com o dinheiro, comprávamos panos para o cenário. O que sobrava, gastávamos em doces. Minha maior alegria foi quando ganhei do meu pai uma câmera de fita daquelas caseiras. Eu filmava tudo: os nascimentos da família, aniversários, comecei  a fazer filminhos com os amigos e até pegadinhas na praça.

JC: Como foi sua trajetória de Pirajuí ao Rio de Janeiro?
Emer - Nasci em Pirajuí, que é minha cidade querida. Fiz o colegial em Bauru, onde tive momentos incríveis e contei com apoio do meu querido professor Paulo Neves na produção de um filme com os alunos de teatro. Fui para São Paulo estudar cinema e teatro, mas quando conheci o Rio, me apaixonei e resolvi arriscar.

JC: Que lembranças boas você tem de Pirajuí e Bauru?
Emer: Pirajuí é meu porto seguro, minha família toda esta lá. Passo o dia na varanda com os cachorros e faço churrasco com meus amigos de infância. Em Bauru, vivi a adolescência, as descobertas. Quando vou a Pirajuí, reservo ao menos duas noites pra sair em Bauru.

JC: Como você recebeu a proposta para trabalhar na novela “Êta Mundo Bom!”?
Emer: Eu vinha dirigindo peças teatrais e, recentemente, o filme “MuDanças” teve uma repercussão maior do que eu esperava com exibições em algumas capitais do Brasil e na África do Sul. No início do ano passado, me matriculei na faculdade de audiovisual e também fiz dois cursos livres de direção, um deles com a diretora Cininha de Paula, que foi minha grande madrinha na TV. Éramos 30 alunos na sala e ela acreditou em mim, me indicou para o Diego Morais, assistente de direção naquele momento em que estava sendo promovido a diretor. Ele buscava um substituto. Foi quando o RH da TV Globo me ligou para o processo de seleção, uma espécie de bancada onde tive que apresentar os trabalhos que vinha fazendo. Depois, ainda tive uma entrevista com Jorge Fernando, que é o diretor geral da novela.

JC: Como é estar com diretores e atores que você sempre admirou?
Emer: Tive sorte de estar numa equipe especial. O texto de Walcyr Carrasco é majestoso.  Jorge Fernando é um ser humano incrível, que sabe tudo de televisão, e estar perto dele me faz aprender além do que eu podia imaginar. Temos também outros três diretores fantásticos: o Diego Morais, que é meu segundo padrinho e o admiro demais por sua generosidade única; a Catu (ex-paquita Ana Paula Guimarães), que me ensina diariamente como cuidar com carinho dos detalhes das cenas; e o Marcelo Zambelli, que é um fera, ágil e tem muita clareza do que quer. Além da equipe de produção e do elenco, que me receberam muito bem. Eu era fã do “Castelo Ra-Tim-Bum” e quando me pego ensaiando as cenas da Rosi Campos (Tia Eponina), lembro da “feiticeira Morgana” e revivo minha infância.

JC: Quais os próximos projetos?
Emer: Estou focado em “Eta Mundo Bom!”. A novela é lúdica, linda, um sucesso e nossa equipe está empenhada em manter essa beleza até o último capítulo. Não sobra muito tempo para outras coisas, mesmo assim estou em pré-produção do meu próximo filme, um curta-metragem que rodaremos em Paquetá nos próximos meses.

JC: O que você tira de lição ou aprendizado disso tudo?
Emer: Quando fazemos o que amamos, temos comprometimento, dedicação, persistência e o pensamento em Deus , o universo conspira e mesmo que as coisas demorem, cedo ou tarde tudo vem a nosso favor.

A ‘caipira’ das seis

A novela das seis “Êta Mundo Bom!” estreou em janeiro deste ano. De Walcyr Carrasco, a obra retrata a vida do caipira Candinho (interpretado pelo ator Sérgio Guizé), para quem tudo dá errado. Mesmo assim, ele nunca perde o otimismo.

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